- NAKA acumula queda de 67% no ano e mais de 99% desde maio de 2025
- Empresa fez split reverso 1-para-40 para evitar delisting da Nasdaq
- Setor de tesourarias de Bitcoin enfrenta consolidação em meio à queda de preços
A Nakamoto (NAKA), empresa que adotou o modelo de tesouraria em Bitcoin, virou símbolo do desgaste do setor em 2025. A ação fechou esta quarta-feira em queda superior a 10%, poucos dias depois de a companhia executar um agrupamento reverso de 1 para 40 com o objetivo de manter a listagem na Nasdaq. A focus keyphrase aqui é nakamoto naka.
No acumulado de 2025, o papel já perdeu cerca de 67% e despenca mais de 99% em relação ao pico de US$ 34 registrado em maio. Antes do agrupamento, a NAKA chegou a ser negociada perto de US$ 0,16 em abril, território que costuma acionar alarmes regulatórios em bolsas americanas.
O que forçou o split reverso
Em dezembro, a Nasdaq notificou a Nakamoto de que as ações seriam removidas do pregão caso seguissem negociadas abaixo de US$ 1 por 30 pregões consecutivos, segundo documento entregue à SEC. A regra da bolsa é dura: papéis penny stock perdem visibilidade institucional e acabam fora dos principais índices.
O agrupamento reduziu o número de ações em circulação de aproximadamente 696 milhões para cerca de 17,4 milhões. A operação não cria valor — apenas multiplica o preço unitário e divide a base de papéis. Para o investidor, a posição em dólares continua a mesma. O que muda é a percepção de mercado e o enquadramento nas regras da Nasdaq.
Splits reversos costumam ser leitura negativa entre gestores. Levantamentos históricos da própria Nasdaq mostram que empresas que recorrem ao mecanismo para fugir de delisting têm, em média, performance pior do que o índice nos 12 meses seguintes. A Nakamoto, procurada pela imprensa internacional, não respondeu até o fechamento desta matéria.
O setor de treasuries de Bitcoin encolhe
A queda da NAKA acontece em um cenário mais amplo de fadiga das chamadas Bitcoin treasury companies. Com o BTC sendo negociado hoje a US$ 75.120 (cerca de R$ 380,5 mil), bem distante das máximas históricas, o prêmio que essas empresas costumavam exibir sobre o valor líquido do Bitcoin em caixa derreteu.
Ainda assim, os números expõem diferenças brutais dentro do mesmo modelo. A Strategy (MSTR), maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, sobe cerca de 2,5% em 2025 e é negociada perto de US$ 155. A Twenty-One Capital (XXI), com 43.514 BTC em tesouraria, recua mais de 17% no ano. Já a Strive Asset Management, de Vivek Ramaswamy, avança mais de 20% no mesmo período. A Nakamoto, portanto, não acompanha nem os pares em queda — ela cai sozinha.
Recentemente, a Strive ampliou sua reserva para 16.500 BTC, enquanto a Strategy pausou compras de Bitcoin para recomprar dívida — sinais de que o jogo agora se decide pela disciplina de balanço, não pelo apetite por novas tranches de BTC.
O que isso significa para o investidor brasileiro
No Brasil, fundos como o HASH11 e BITH11 carregam exposição direta a Bitcoin, e não a empresas-tesouraria. Isso isolou o investidor local do colapso de papéis como NAKA — algo distinto do que ocorreu nos EUA, onde investidores de varejo migraram para esses ativos atraídos pelo prêmio sobre o BTC.
A leitura de fundo é cíclica. A Pantera Capital projeta que 2026 trará uma poda brutal no setor, com fusões e aquisições reduzindo o ecossistema a poucos players dominantes. “Em cada classe de ativos, apenas um ou dois jogadores vão dominar. O resto será adquirido ou ficará para trás”, escreveram analistas da gestora em janeiro. Outras treasuries menores seguem acumulando BTC mesmo neste ambiente — uma aposta de que sobreviventes do ciclo serão recompensados quando o preço voltar a subir.
