PCE de 3,8% pressiona Bitcoin e mercado vê novos juros à frente

  • PCE cheio sobe a 3,8% em abril, maior leitura desde agosto de 2023
  • CME FedWatch precifica 100 pontos-base de alta de juros até 2027
  • Bitcoin recua para US$ 72.850 com fuga de risco e tensão EUA-Irã

A inflação medida pelo índice PCE nos Estados Unidos voltou a acelerar em abril e jogou contra os ativos de risco. O termômetro preferido do Federal Reserve subiu 0,4% no mês e bateu 3,8% no acumulado em 12 meses, a maior leitura desde agosto de 2023. O Bitcoin reagiu mal: opera cotado a US$ 72.850,51 (R$ 368.968,10), com queda de 2,8% em 24 horas.

O número veio em linha com o consenso de Wall Street e marca aceleração relevante frente aos 3,5% de março. Bancos como JPMorgan, Bank of America, Goldman Sachs, Morgan Stanley e UBS já trabalhavam com essa projeção. Todos haviam alertado que uma reaceleração inflacionária castigaria ações e criptomoedas.

O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, foi um pouco menos hostil. Avançou apenas 0,2% no mês contra previsão de 0,3%. No acumulado anual, ficou em 3,3%, próximo do esperado. Mesmo o dado mais brando do núcleo não conteve a leitura hawkish do mercado para a política monetária.

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Fed mais duro derruba apetite por risco

A reação ocorreu nos contratos futuros de juros. A ferramenta CME FedWatch passou a precificar até 100 pontos-base de altas adicionais nos juros americanos até 2027. É o oposto do cenário que sustentou a corrida do Bitcoin acima dos US$ 100 mil no ano passado, quando o mercado apostava em afrouxamento monetário.

O dia foi de aversão clara ao risco. O índice DXY e o rendimento da Treasury de 10 anos subiram, enquanto ações, ouro e criptomoedas perderam terreno. Soma-se ao quadro a escalada militar entre Estados Unidos e Irã, que segue alimentando volatilidade. O BitNotícias mostrou como o conflito já provocou liquidações de US$ 934 milhões em cripto nas últimas rodadas de tensão.

Para o investidor brasileiro, o efeito é duplo. Um dólar mais forte, hoje a R$ 5,0647, costuma amortecer parte da queda do BTC em reais, mas também encarece a compra de novas posições nas exchanges locais. O Ethereum, cotado a US$ 1.980,38, perde 3,9% em 24 horas — recuo mais agressivo que o do Bitcoin e típico de momentos em que o capital institucional reduz exposição às pontas mais voláteis da curva de risco.

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Leitura técnica aponta zona crítica de suporte

O analista Michaël van de Poppe avalia que a fraqueza atual não configura, sozinha, um colapso de tendência. Segundo ele, o padrão se repete: nos últimos dias do mês, gestores rebalanceiam carteiras e os preços cedem. A leitura, publicada em sua conta no X, sugere correção dentro do escopo cíclico, não ruptura estrutural.

O ponto técnico, porém, é delicado. Poppe destaca que o Bitcoin nunca conseguiu romper a barreira dos US$ 77.000, e essa rejeição arrastou o universo de altcoins para baixo. A zona de suporte agora em teste é considerada decisiva. Se perdida, o próximo objetivo de busca por compradores ficaria na faixa baixa dos US$ 60 mil — distância considerável para os preços atuais.

O sentimento do mercado, na avaliação do analista, está “pior do que em 2022 e 2018”. Ainda assim, ele aponta que essa capitulação narrativa costuma anteceder transições. Quem opera no Brasil já vê esse movimento de fora: investidores institucionais americanos seguem comprando, enquanto o varejo larga posições — leitura compartilhada por Cathie Wood em sua tese recente.

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O calendário macro pesa nos próximos dias. Investidores aguardam falas de dirigentes do Fed e novos dados de emprego para calibrar expectativas. Enquanto isso, o juro americano alto, somado ao risco geopolítico, mantém o ambiente travado para reentradas agressivas em risco — incluindo o Bitcoin e o restante do ecossistema cripto.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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