Polygon vê volume de stablecoins disparar 66%, mas POL trava abaixo de US$ 0,09

  • Volume de stablecoins não-P2P na Polygon sobe 66,7% em quatro meses
  • POL acumula US$ 24 bilhões em transferências mensais e queima 2,64 milhões de tokens
  • Preço testa pela terceira vez o suporte de US$ 0,0835 com risco de rompimento

A rede Polygon vive um descompasso raro entre fundamentos e preço. O volume de transferências de stablecoins fora de operações peer-to-peer saltou 66,7% nos últimos quatro meses, enquanto o token POL insiste em rondar a casa dos US$ 0,083 — patamar que já foi testado e defendido duas vezes desde o início de 2026.

Dados da plataforma Artemis indicam que abril fechou com cerca de US$ 24 bilhões em transferências mensais de stablecoins na rede. Em janeiro, o número estava abaixo de US$ 15 bilhões. Fevereiro repetiu a marca. Foi em março que o salto aconteceu, e o patamar se manteve desde então.

No acumulado, a Polygon já processou mais de US$ 140 bilhões em volume de stablecoins. O market cap dessas moedas na rede é de US$ 3,44 bilhões — menor do que o de competidores diretos, mas com giro elevado. O dado sugere que o ecossistema é usado mais para movimentação do que para custódia, perfil típico de redes voltadas a pagamentos e DeFi de varejo.

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Polygon supera BNB Chain em taxas diárias

Levantamento da DefiLlama coloca a Polygon em posição curiosa no ranking de atividade. As taxas geradas em um único dia chegaram a US$ 297,24 mil, acima dos US$ 271 mil registrados pela BNB Smart Chain. À frente da Polygon ficaram Canton, Tron, Solana e Ethereum, nessa ordem.

O número de endereços ativos diários também impressiona: 534,8 mil, superando Ethereum e Base. Por outro lado, o volume em DEXs é modesto — cerca de US$ 178 milhões —, o que reforça a tese de que a rede é movida por transações de baixo ticket, não por trades especulativos de alto valor.

A receita do protocolo tem efeito direto sobre o supply. As taxas coletadas resultaram na queima de 2,64 milhões de POL, mecanismo que reduz a inflação anual do token. Dados do Chainspect mostram ainda throughput teórico de 3.333 TPS e novo recorde prático de 2.239 TPS — métricas técnicas relevantes para narrativas de escalabilidade, ainda que historicamente tenham pouco impacto sobre o preço.

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Por que o POL não reage

O paradoxo entre adoção e cotação não é novo no setor. Cardano, Algorand e a própria Polygon em ciclos anteriores já mostraram que volume on-chain, por si só, não sustenta preço quando o token não captura valor diretamente. No caso do POL, parte da explicação está no tokenomics: a maior parte das stablecoins na rede é USDT e USDC, cuja movimentação gera taxas em POL — mas em valores que não compensam a pressão vendedora vinda de emissões e desbloqueios programados.

Para o investidor brasileiro, o ponto sensível é o uso da rede como trilho para pagamentos com stablecoin. Plataformas como Mercado Pago e iniciativas locais de remessa internacional via USDT já testam infraestruturas que se beneficiam diretamente do tipo de volume capturado pela Polygon. A leitura sobre adoção de pagamentos em cripto mostra que o eixo regional pode ser um catalisador secundário caso o uso continue crescendo.

Suporte crítico e cenários técnicos

No gráfico, o POL vem caindo desde o ano passado. Entre março e outubro de 2025, operou em range lateral antes de perder o suporte de US$ 0,17. A perda foi reteste pela tentativa de rali no início do ano, que falhou e levou o ativo até US$ 0,0835.

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Essa região foi defendida duas vezes e agora é testada pela terceira. A leitura técnica é binária. Caso o piso segure, o próximo alvo natural fica em US$ 0,12, com extensão a US$ 0,17 em caso de rompimento. Perder os US$ 0,0835, por outro lado, abre espaço para nova perna de queda — cenário em linha com o que se observa em outras altcoins durante a rotação atual de capital para BTC e ETF spot.

A divergência entre métricas on-chain robustas e ação de preço apática expõe o desafio estrutural do POL: traduzir adoção em demanda direta pelo token. Sem mecanismo de captura mais agressivo, o crescimento do volume de stablecoins beneficia mais o ecossistema do que o detentor do ativo nativo. Os dados completos da rede podem ser consultados no painel da DefiLlama.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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