- Binance, OKX e Gemini perderam quase 100 mil BTC desde fevereiro
- Reservas em exchanges atingem menor patamar em dois anos e meio
- Carteiras acumuladoras saltam 60% em duas semanas e atingem 264 mil BTC
O estoque de Bitcoin disponível para venda imediata nas principais corretoras globais encolheu de forma acelerada nos últimos três meses. Dados da CryptoQuant mostram que Binance, OKX e Gemini registraram, somadas, retiradas líquidas próximas de 100 mil BTC desde o início de fevereiro — algo equivalente a mais de US$ 8 bilhões aos preços atuais.
O movimento empurrou as reservas combinadas dessas plataformas ao menor nível em cerca de dois anos e meio. Para investidores acostumados a ler fluxos on-chain, é o tipo de leitura que costuma anteceder fases de aperto na oferta líquida do ativo.
A Binance lidera a sangria. As reservas da maior corretora do mundo recuaram de aproximadamente 670 mil BTC no fim de fevereiro para perto de 620 mil BTC em 7 de maio. É o piso mais baixo desde dezembro de 2023. A OKX viu o saldo escorregar de 132 mil para cerca de 102 mil BTC no mesmo intervalo. Já a Gemini saiu de 114,8 mil para 95 mil BTC.
Compradores voltam a dominar na Binance
Enquanto as reservas minguam, o comportamento dos compradores na Binance virou de cabeça para baixo. O volume líquido de takers em janela de sete dias saiu de -US$ 1 bilhão no fim de março — quando vendedores agressivos dominavam o livro — para algo perto de +US$ 2,6 bilhões no começo de maio.
A inversão indica que ordens a mercado pelo lado comprador voltaram com força após o tombo recente. O BTC era negociado a US$ 79.955 nas últimas 24 horas, ainda longe do pico de janeiro, mas em recuperação consistente diante das mínimas de abril. Para o investidor brasileiro, o preço se traduz em torno de R$ 460 mil, próximo da faixa que historicamente atrai novos aportes em corretoras locais.
Outro analista da CryptoQuant ressalta que o esvaziamento simultâneo em várias plataformas tem peso maior do que retiradas isoladas. Quando moedas saem de múltiplas corretoras ao mesmo tempo, a leitura é de mudança comportamental — não de simples migração interna entre carteiras de uma mesma casa.
Oferta em balcão também encolhe
O aperto não está restrito aos livros públicos. Os balanços de mesas de balcão, conhecidas como OTC e usadas por instituições para mover grandes lotes longe do mercado aberto, também perderam fôlego.
A variação de saldo OTC em 30 dias virou negativa em cerca de 24.940 BTC. Em fevereiro, com o Bitcoin testando a casa dos US$ 60 mil, a mesma métrica apontava entrada líquida de aproximadamente +25.300 BTC. Em pouco mais de 60 dias, o sinal se inverteu — sugerindo que o suprimento fresco para grandes compradores secou junto com a queda de braço entre vendedores e demanda institucional.
Esse pano de fundo se conecta a outro indicador relevante para quem opera no Brasil: a captação dos ETFs à vista nos Estados Unidos voltou a ficar positiva em maio. Enquanto fundos absorvem oferta na ponta institucional, a Strategy e outras tesourarias seguem de olho em janelas de compra. Em paralelo, baleias retiraram cifras bilionárias da Binance nas últimas semanas, reforçando o padrão.
Acumuladores voltam com tudo
Detentores de longo prazo aproveitaram a recuperação do BTC rumo a US$ 82.800 para reforçar posições. Endereços classificados como acumuladores — carteiras que compram com regularidade e raramente vendem — passaram de 164.440 BTC em 23 de abril para 264 mil BTC em 6 de maio. Alta de 60% em duas semanas.
A métrica havia tocado fundo perto de 100 mil BTC em meados de março, antes da virada. Esse cohort costuma servir de termômetro para a convicção dos participantes mais experientes. Quando ele cresce em ritmo acelerado, sinaliza que parte do mercado enxerga a faixa atual como zona de compra — não de capitulação. O cenário ganha mais peso considerando que o Bitcoin ainda precisa romper US$ 83 mil para reabrir a discussão sobre uma nova máxima histórica em 2026, segundo levantamento da CryptoQuant divulgado pela imprensa especializada.
