- BofA eleva alvo de SNDK de US$ 1.550 para US$ 2.100 em 12 meses
- Sandisk lucra US$ 3,62 bilhoes no 3º trimestre com receita de US$ 5,95 bilhões
- Cantor Fitzgerald projeta papel a US$ 2.900 com aperto na oferta de NAND
A corrida pela infraestrutura de inteligência artificial reorganizou o ranking dos papéis mais quentes de Wall Street, e a Sandisk (SNDK) virou um dos nomes mais comentados do segmento de memória. Os papéis acumulam alta de 660% em 2026 e cerca de 4.400% nos últimos 12 meses, ritmo que poucas ações de tecnologia conseguiram sustentar nesse ciclo.
O mais recente impulso veio do Bank of America, que elevou o preço-alvo de 12 meses de US$ 1.550 para US$ 2.100. Mesmo após uma queda de 11% em 5 de junho, a ação recuperou 5% no pregão seguinte, fechando em US$ 1.642, e seguiu subindo nos dias posteriores. A leitura do banco é direta, a oferta apertada de NAND e a demanda travada de hyperscalers ainda jogam a favor da companhia.
Sandisk vira aposta pura em memória flash
Desde o spin-off da Western Digital (WDC), concluído em 2025, a Sandisk opera como uma fabricante 100% focada em NAND. O portfólio cobre data centers, PCs, dispositivos de borda e eletrônicos de consumo exatamente os mercados que mais pressionam a oferta global de armazenamento.
O CEO David Goeckeler classificou o trimestre mais recente como um “ponto fundamental de inflexão” e destacou que a empresa migrou para um mix mais voltado a data centers. Companhia assinou contratos plurianuais com clientes-chave e prepara flash de alta largura para IA generativa avançada até 2026.
Lucro de US$ 3,62 bi redefine base de comparação
Os números do terceiro trimestre fiscal explicam por que a tese ganhou corpo. A receita somou US$ 5,95 bilhões, alta de 251% na comparação anual, com data center contribuindo com US$ 1,47 bilhão e o segmento Edge com US$ 3,66 bilhões. O lucro líquido bateu US$ 3,62 bilhões, e o LPA ajustado foi de US$ 23,41, salto de 278% sobre os US$ 6,20 do trimestre anterior.
A geração de caixa acompanhou, foram US$ 2,99 bilhões em fluxo livre, e o balanço encerrou o período com US$ 3,73 bilhões em caixa, sem dívida líquida. A administração também aprovou um programa de recompra de ações. Para o próximo trimestre, o guidance prevê receita entre US$ 7,75 bilhões e US$ 8,25 bilhões e LPA ajustado de US$ 30 a US$ 33, acima do consenso da Street.
Cantor Fitzgerald mira US$ 2.900 por ação
O movimento do BofA não foi isolado. A Cantor Fitzgerald elevou seu alvo para US$ 2.900, e a Mizuho ajustou para US$ 2.200. Entre 22 analistas com cobertura, a recomendação consensual é “compra forte”, com preço-alvo médio de US$ 1.863. As projeções de receita fiscal de 2027 do BofA chegaram a US$ 44 bilhões, com LPA estimado em US$ 188.
O múltiplo, porém, exige cautela. SNDK negocia a 25,7 vezes o lucro projetado, em linha com a média do setor de semicondutores (~26x). Não é uma pechincha, mas tampouco precifica exuberância o mercado quer evidência de que o ciclo de preços do NAND sustenta margens por mais alguns trimestres antes da oferta global se equilibrar.
Por que o investidor brasileiro acompanha o setor de memória
Para brasileiros em IVVB11 e NASD11, Sandisk reforça tese, capital institucional global também busca ativos ligados à IA. Esse mesmo fluxo explica parte da liquidez que pressiona o Bitcoin lateralmente. Recentemente, a Amazon levantou US$ 17,5 bilhões em dívida para bancar capex de IA, sinalizando que a demanda por NAND deve seguir firme em 2026. Vale lembrar que o IPO bilionário da SpaceX também disputa esse mesmo bolso institucional. Os números completos do balanço estão na página de relações com investidores da Sandisk.
