- Satoshi Nakamoto controla cerca de 1,1 milhão de BTC distribuídos em 22 mil endereços
- Última transação registrada foi envio de 32,51 BTC ao desenvolvedor Mike Hearn há 16 anos
- Movimento das moedas dormentes provocaria choque de liquidez e exposição de identidade
O maior estoque dormente do mercado cripto segue intocado. Análises on-chain consolidam que Satoshi Nakamoto controla aproximadamente 1,1 milhão de BTC, equivalentes a 5,47% da oferta máxima de 21 milhões da rede. Aos preços atuais de US$ 65.674, o tesouro vale cerca de US$ 72 bilhões ou aproximadamente R$ 366 bilhões na cotação do dólar a R$ 5,06.
O cálculo não vem de declaração pública. Foi reconstruído por meio de forense criptográfica, principalmente pelo trabalho do pesquisador argentino Sergio Demian Lerner, cujos resultados originais saíram em 2013 e foram revisados em 2020. As moedas estão espalhadas por 22 mil endereços distintos, cada um com exatamente 50 BTC oriundos das recompensas de blocos iniciais. Nenhum desses endereços registrou saída há mais de 15 anos.
Como o Patoshi Pattern isolou as carteiras
Lerner extraiu o campo ExtraNonce das transações coinbase dos primeiros 50 mil blocos e cruzou os valores com a altura de cada bloco. A maioria dos mineradores deixou distribuições dispersas. Um deles, batizado de Patoshi, produziu segmentos lineares íngremes e contínuos. O traço aponta para uma única máquina ou cluster sincronizado minerando com velocidade e regularidade fora do padrão.
A assinatura começa no Bloco Gênesis, minerado em 3 de janeiro de 2009, e desaparece por volta do bloco 54.000, no fim de 2010, coincidindo com o afastamento público de Satoshi. Análise complementar do nonce mostrou que o software usado não era o cliente Bitcoin v0.1. Os blocos de Patoshi exibem distribuição restrita no Least Significant Byte, indicativo de configuração multi-thread customizada, com cada thread varrendo uma faixa específica para evitar trabalho redundante. Essa arquitetura virou impressão digital permanente na blockchain.
Transferências conhecidas e o Bloco Gênesis
Satoshi movimentou bitcoin em apenas duas ocasiões documentadas. Em 12 de janeiro de 2009, nove dias após o Gênesis, enviou 10 BTC ao criptógrafo Hal Finney como teste. O último fluxo registrado, há cerca de 16 anos, foi a transferência de 32,51 BTC ao desenvolvedor Mike Hearn em abril de 2009. Em e-mail de abril de 2011, Satoshi avisou que havia “seguido para outras coisas”. Desde então, silêncio absoluto.
O endereço mais simbólico do cluster, 1A1zP1eP5QGefi2DMPTfTL5SLmv7DivfNa, recebeu os 50 BTC do Bloco Gênesis. Pela forma como o primeiro bloco foi codificado, essas moedas originais são tecnicamente ingastáveis. Ainda assim, a comunidade transformou o endereço em monumento e envia BTC como tributo o saldo atual ronda 107,22 BTC.
Três hipóteses para o silêncio de uma década
Entre pesquisadores e holders antigos, três explicações dominam. A primeira é perda das chaves: em 2009, Bitcoin não tinha valor monetário nem ferramentas padronizadas de custódia, e arquivos guardados em HDs podem ter sumido. A segunda é a morte do criador, com nomes como o próprio Hal Finney e o cypherpunk Len Sassaman entre os candidatos já falecidos. A terceira é escolha ideológica, Satoshi estaria vivo e optaria por não movimentar nada para preservar a narrativa de descentralização da rede.
O que um único saque provocaria no mercado
Para o investidor brasileiro, o tema é mais do que curiosidade histórica. Qualquer transferência saindo de um endereço do cluster Patoshi quebraria a premissa de que esses 5,47% estão fora de circulação para sempre, criando choque de liquidez instantâneo. Em corretoras locais como Mercado Bitcoin e Foxbit, a reação seria amplificada pela liquidez menor do par BTC/BRL basta lembrar do impacto recente quando uma baleia despertou após sete anos e movimentou apenas 2.373 BTC.
O segundo efeito seria forense. Qualquer saída exporia dados de roteamento e poderia ligar Satoshi a serviços com KYC, encerrando o mais longo enigma de identidade do setor. O contexto chega em momento delicado, o ajuste recente na dificuldade de mineração recolocou a economia dos mineradores em pauta, enquanto baleias retiraram US$ 700 milhões em BTC das exchanges. Mexer no estoque de Satoshi, nesse cenário, mudaria a base de cálculo de oferta líquida usada por mesas institucionais.
