- SpaceX mira valuation de US$ 1,75 trilhão e capta até US$ 80 bilhões
- OpenAI prepara IPO acima de US$ 1 trilhão com Goldman e Morgan Stanley
- Trio pode drenar capital de ações de tecnologia e cripto no segundo semestre
O calendário de ofertas públicas do segundo semestre de 2026 ganhou contornos inéditos. A spacex, controlada por Elon Musk, protocolou nesta semana a documentação para a maior abertura de capital já tentada em Wall Street. Quase no mesmo dia, a OpenAI sinalizou aceleração nos preparativos para seu próprio IPO, enquanto a Anthropic avalia uma listagem que pode sair já em outubro.
Juntas, as três empresas podem injetar perto de US$ 3 trilhões em valor de mercado nas bolsas em poucos meses. O movimento testa o apetite dos investidores por histórias de crescimento na casa do trilhão e ameaça redirecionar fluxos de capital que hoje sustentam ações de tecnologia e, indiretamente, o próprio mercado cripto.
SpaceX prepara decolagem na Nasdaq
O cronograma da SpaceX já está desenhado. Roadshow começa por volta de 4 de junho, precificação em 11 de junho e início de negociação previsto para 12 de junho sob o ticker SPCX. A companhia pretende captar até US$ 80 bilhões, mirando valuation de US$ 1,75 trilhão ou mais.
Para efeito de comparação, a histórica oferta da Saudi Aramco em 2019 levantou cerca de US$ 25 bilhões a US$ 35 bilhões. A SpaceX tenta uma transação mais do que duas vezes maior. A receita da empresa teria alcançado US$ 18,7 bilhões em 2025, quase o dobro do registrado dois anos antes, puxada principalmente pela Starlink e seus cerca de 10 milhões de assinantes.
A leitura para o investidor brasileiro envolve um detalhe pouco discutido, ao preço pretendido, a SpaceX negociaria a aproximadamente 110 vezes a receita. É múltiplo superior ao das ações mais agressivamente precificadas do S&P 500. Some-se a isso a estrutura dual-class proposta, que daria a Musk cerca de 85% do controle de voto, e o resultado é uma ação com float pequeno, governança concentrada e potencial de volatilidade elevado pós-listagem. Quem opera ETFs ligados a inovação via corretoras brasileiras precisa ficar atento à inclusão em índices.
OpenAI acelera preparativos e mira o trilhão
A OpenAI está em estágio anterior, mas o caminho ficou mais claro. Sam Altman gostaria de listar a empresa já em setembro de 2026, segundo apurações divulgadas em reportagem da Yahoo Finance. Goldman Sachs e Morgan Stanley estariam envolvidos, com discussões de valuation acima de US$ 1 trilhão ante US$ 850 bilhões na última rodada privada.
ChatGPT e produtos corporativos impulsionaram uma das receitas mais rápidas do software, alcançando dezenas de bilhões anuais. Mas a OpenAI segue profundamente deficitária, com prejuízos bilionários esperados por anos diante dos custos de infraestrutura computacional, energia e expansão de data centers.
Impacto no mercado cripto e em ações de tecnologia
A chegada conjunta dessas empresas pode pressionar setores próximos. O BTC opera nesta semana a US$ 73.341, equivalente a cerca de R$ 371 mil, em queda de 0,9% nas últimas 24 horas. O ETH está em US$ 2.001 Ações listadas e cripto disputam o mesmo bolso de investidor de risco — e mega ofertas tendem a sugar liquidez de ativos mais especulativos.
O padrão tem precedente. Quando a Aramco saiu, fundos globais reposicionaram carteiras de energia. Quando o Facebook abriu capital em 2012, smaller caps de tech sofreram. Agora, com Bitcoin já pressionado por saques recordes em ETFs e tensão geopolítica, a entrada de SpaceX e OpenAI nos índices pode acelerar realocação automática de fundos passivos para fora de cripto-exposure. Mineradoras como a MARA, que pivotou parte da estrutura para IA, devem ser arrastadas pela narrativa para cima ou para baixo, dependendo do desempenho dos novatos.
Sinais que investidores devem acompanhar
Os próximos trimestres trarão indicadores importantes, como a SPCX negocia frente ao último valuation privado, se o cronograma da OpenAI se confirma, o comportamento das ações após o fim dos lock-ups de insiders e a saúde do mercado de IPOs para empresas menores. A direção dos juros nos EUA permanece variável crítica companhias deficitárias dependem de custo de capital baixo para sustentar múltiplos elevados.
