- Geoffrey Kendrick reafirma projeção de US$ 100 mil para Bitcoin até fim de 2026
- Queda de mais de 15% na semana foi puxada por venda inédita da Strategy
- Standard Chartered alerta para risco extra de pressão abaixo de US$ 60 mil
O Standard Chartered não recuou do seu alvo mais agressivo para o Bitcoin. Mesmo após uma semana de perdas pesadas no mercado cripto, Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa em ativos digitais do banco britânico, reiterou que a maior criptomoeda do mundo encerrará 2026 negociada a US$ 100 mil.
A previsão foi reafirmada em nota enviada a clientes nesta quarta-feira (4). Kendrick chamou os últimos dias de “dolorosos” e admitiu que o timing do gatilho que derrubou os preços foi infeliz. Ainda assim, ele sustenta que a demanda estrutural pelo ativo permanece intacta e que os investidores devem lembrar o nível atual como um ponto de entrada.
O Bitcoin é negociado está negociado em US$ 64.120, equivalente a cerca de R$ 324 mil, com recuo de 4,5% em 24 horas. No acumulado do ano, o ativo perde perto de 30%, em forte descompasso com o S&P 500, que avança 10,4% no mesmo intervalo.
Venda da Strategy derruba mercado em mais de 15%
O estopim do tombo recente veio de dentro do próprio ecossistema. Na segunda-feira (2), a Strategy, empresa comandada por Michael Saylor e maior detentora corporativa de Bitcoin do planeta, comunicou ao mercado a primeira venda de BTC desde 2022. O movimento, ainda que pequeno em volume, quebrou um simbolismo construído ao longo de quase quatro anos. Detalhes da operação estão na venda de 32 BTC que derrubou as ações MSTR em quase 10%.
A reação no preço foi imediata. Desde segunda, o Bitcoin já cedeu mais de 15%, alimentando uma onda de liquidações em posições alavancadas. As ações da Strategy também sofreram, com baixa de cerca de 17% em 2026. Saylor, conhecido por bordões como “venda um rim, mas mantenha seu Bitcoin”, justificou a operação como forma de financiar distribuições de dividendos das ações preferenciais da companhia argumento que não convenceu parte da comunidade nas redes sociais.
Kendrick acredita que a Strategy retomará compras agressivas nas próximas semanas, repetindo comportamento observado anteriormente. Esse retorno seria, na leitura do analista, um dos catalisadores capazes de devolver o ativo ao patamar de seis dígitos.
Risco aumenta se preço perder US$ 60 mil
Apesar do otimismo, o relatório do Standard Chartered admite uma zona de perigo. Se o Bitcoin romper o suporte de US$ 60 mil, novas vendas técnicas podem ser destravadas. Kendrick afirma que o fraco desempenho frente às ações americanas reduziu alavancagem e limita novas liquidações profundas.
O cenário se conecta a outro movimento que vem drenando liquidez do BTC: a fuga de capital dos ETFs à vista. Os fundos de Bitcoin acumulam dias consecutivos de saques, como mostrou o caso do IBIT da BlackRock, que perdeu US$ 440 milhões em 11 sessões negativas. A própria nota original do Standard Chartered reconhece esse efeito de canal duplo sobre o preço.
Real forte amortece queda para investidor local
Para o investidor brasileiro, o tombo recente do BTC chega filtrado por um câmbio relativamente comportado. Com o dólar a R$ 5,08, o Bitcoin em reais opera próximo de R$ 324 mil patamar ainda longe do pico de outubro de 2025. Exchanges nacionais, agora sob a exigência de auditoria independente do Banco Central, registram aumento de volume em operações de saída de stablecoins, indicador clássico de aversão ao risco no varejo local.
O alvo de US$ 100 mil até dezembro implica alta superior a 55% sobre o preço atual em pouco mais de seis meses projeção ambiciosa que depende tanto do retorno da demanda institucional via ETFs quanto da retomada das compras corporativas. Por enquanto, o mercado opera no sentido oposto, traders ajustaram posições para o lado vendedor e o sentimento bearish dominou após a divulgação da venda da Strategy.
