- Strategy comprou 535 BTC por US$ 43 milhões entre 4 e 10 de maio
- Aquisição eleva o caixa da empresa para 818.869 BTC, perto de 4% da oferta
- MSTR subiu 4,3% no pré-mercado e acumula alta de 23% em 2025
A Strategy, antiga MicroStrategy, voltou a comprar Bitcoin depois de uma semana sem aquisições. A companhia adquiriu 535 BTC por US$ 43 milhões entre 4 e 10 de maio, segundo formulário 8-K enviado ao regulador americano nesta segunda-feira.
O preço médio pago foi de US$ 80.340 por unidade, conforme o documento depositado na SEC. Com a operação, o estoque total da empresa subiu para 818.869 BTC, adquiridos por aproximadamente US$ 61,86 bilhões preço médio de US$ 75.540 por moeda, já incluindo taxas.
Foi a primeira compra desde 27 de abril, quando a tesouraria havia incorporado 3.273 BTC por US$ 255 milhões. A pausa coincidiu com a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, na qual Michael Saylor admitiu que a Strategy poderia vender parte das reservas para honrar pagamentos de dividendos das ações preferenciais.
Como a compra foi financiada
O grosso do dinheiro veio da venda de ações ordinárias. Do total desembolsado, US$ 42,9 milhões saíram da colocação de papéis Classe A (MSTR), enquanto US$ 100 mil foram bancados pela emissão de Stretch (STRC), a ação preferencial recém-lançada pela companhia.
O modelo de captação é o mesmo que sustenta a Strategy desde 2020: emissão contínua de ações e dívida conversível para financiar acúmulo de BTC. A empresa segue como maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, à frente de Marathon Digital, Tesla e Block.
No domingo, Saylor já havia sinalizado a retomada das compras em postagem na rede X. O recado bateu com a movimentação registrada poucas horas depois no filing oficial. Quem acompanha o histórico do executivo sabe, o tweet semanal com o gráfico de aquisições virou ritual quase obrigatório nos domingos.
Ação MSTR reage no pré-mercado
Os papéis da Strategy reagiram positivamente. No pré-mercado de segunda-feira, MSTR cotada acima de US$ 185,50. No ano, a ação acumula valorização de cerca de 23% desempenho que contrasta com a queda de aproximadamente 7,2% do Bitcoin no mesmo intervalo.
Esse descolamento entre MSTR e BTC é uma das discussões mais quentes no mercado americano. O prêmio das ações sobre o valor líquido dos BTC em caixa (mNAV) é justamente o que permite à Strategy emitir mais papéis e comprar mais Bitcoin sem diluir acionistas pelo menos enquanto o prêmio se mantiver positivo. Para o investidor brasileiro, vale lembrar que MSTR é acessível via BDR e também integra carteiras de ETFs que circulam na B3, o que torna o movimento relevante mesmo fora dos EUA.
Divisão no mercado sobre vendas futuras
A fala de Saylor sobre vender parte da posição para bancar dividendos dividiu opiniões. Parte dos investidores teme que uma venda da maior baleia corporativa do mercado dispare liquidações em cascata. Outros, como o defensor de Bitcoin Samson Mow, veem nas vendas pontuais um instrumento legítimo de gestão de tesouraria.
O acionista Adam Livingston foi além e argumentou que vendas periódicas podem, na prática, financiar compras ainda maiores no futuro. Dias antes, o próprio Saylor tentou conter o nervosismo ao prometer comprar entre 10 e 20 vezes mais Bitcoin do que vender. A retomada das aquisições nesta semana funciona como prova prática desse compromisso.
O ângulo do dividendo é central. A Strategy criou a preferencial STRC com cupom de 11,5% ao ano, e o CFO Phong Le já confirmou que a venda de BTC é uma opção real caso o fluxo de caixa não dê conta. Por ora, o roteiro segue inverso, a companhia mantém o modelo de captação via equity e converte capital em Bitcoin. Outra frente em observação é o apetite de fundos institucionais americanos, com fundos de pensão estaduais já carregando posições em MSTR como proxy de exposição ao BTC.
