- Strategy transferiu 411,48 BTC, equivalentes a US$ 30,3 milhões, para a Coinbase Prime
- Apostas de que a empresa venderá BTC antes de 31 de dezembro chegaram a 84%
- Prejuízo líquido de US$ 12,54 bilhões no 1º trimestre pressiona postura da companhia
A Strategy, antiga MicroStrategy e maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, voltou ao centro das atenções após movimentar parte de suas reservas para a Coinbase Prime. A transferência foi de 411,48 BTC, cerca de US$ 30,3 milhões ao câmbio atual. Pequena diante do tesouro da empresa, mas grande o suficiente para reacender o debate sobre uma possível venda parcial.
O movimento foi detectado por rastreadores on-chain e rapidamente repercutiu entre traders. Com o BTC negociado a US$ 73.579,81 (cerca de R$ 372 mil), qualquer sinal vindo da companhia de Michael Saylor tem peso desproporcional sobre o humor do mercado.
O fim da narrativa “diamond hands”?
Em mercados de previsão, as apostas de que a Strategy venderá pelo menos parte de seu Bitcoin antes de 31 de dezembro saltaram para 84%. O número reflete a mudança recente de discurso de Saylor, que durante anos repetiu que continuaria “comprando o topo para sempre”.
Na teleconferência do primeiro trimestre de 2026, o executivo surpreendeu ao admitir que considera realizar lucros parciais. A fala confirmou declarações anteriores do CEO da Strategy, Phong Le, e marcou um rompimento simbólico com a estratégia de hold absoluto que se tornou marca registrada da empresa.
A pressão tem nome: o balanço da companhia foi destruído pela queda do BTC ao longo do ano. A Strategy reportou prejuízo líquido de US$ 12,54 bilhões no primeiro trimestre, número que reflete a marcação a mercado das mais de 580 mil moedas em tesouraria. Em abril, o BitNotícias já havia mostrado como Saylor seguia publicando “HODL” mesmo com perdas bilionárias acumuladas.
Precedente de venda já existe
Apesar do choque inicial, o histórico recente sugere cautela antes de declarar o fim do ciclo de acumulação. Em 22 de dezembro do ano passado, a Strategy liquidou 704 BTC por aproximadamente US$ 11,8 milhões. Dois dias depois, em 24 de dezembro, comprou de volta 810 BTC.
A operação serviu a fins fiscais, não a uma mudança de tese. Saylor resumiu a lógica em entrevistas posteriores: o segredo é comprar mais do que se vende. Ou seja, transferências para a Coinbase Prime não significam, necessariamente, saída líquida de posição — podem ser rebalanceamento, colateral para empréstimos ou preparação para nova emissão de dívida.
Vale lembrar que a companhia anunciou recentemente uma pausa nas compras para focar em recompras de dívida, conforme detalhado em cobertura sobre os bonds da Strategy. Essa frente financeira ajuda a contextualizar por que parte das moedas pode estar circulando em endereços de exchanges institucionais agora.
O que isso significa para o investidor brasileiro
Para quem opera no Brasil, o ponto sensível é o efeito psicológico. A Strategy concentra mais de 2% de todo o supply do Bitcoin. Qualquer venda relevante teria impacto direto sobre o preço cotado em reais nas principais corretoras locais, como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance BR.
O contexto também conversa com um movimento mais amplo de empresas reavaliando posições. Recentemente, uma companhia com mais de 658 BTC abandonou a estratégia de tesouraria e decidiu liquidar o estoque, sinal de que o ambiente macro desfavorável tem testado a convicção mesmo das empresas mais comprometidas com a tese.
O dado relevante para acompanhar nos próximos dias é o endereço de tesouraria da Strategy. Caso o saldo total caia de forma consistente, a hipótese de venda parcial se confirma. Se as moedas retornarem ou forem usadas como colateral em produtos estruturados, a tese de hold continua intacta. Investidores podem acompanhar os filings oficiais da empresa diretamente nos registros públicos junto à SEC, que detalham cada operação relevante de tesouraria.
