Strategy envia 411 BTC à Coinbase e mercado teme venda de Saylor

  • Strategy depositou 411 BTC na Coinbase Prime, cerca de US$ 30,24 milhões
  • Polymarket precifica 91% de chance de venda de BTC pela empresa até dezembro
  • CEO Phong Le admite venda tática para realizar prejuízo fiscal e recomprar

A Strategy Inc. (NASDAQ: MSTR), comandada por Michael Saylor, voltou ao centro do noticiário cripto nesta sexta-feira (29). A empresa transferiu 411 BTC para a Coinbase Prime, plataforma institucional da Coinbase (NASDAQ: COIN). O depósito equivale a cerca de US$ 30,24 milhões e foi flagrado em tempo real pela ferramenta on-chain da Arkham Intelligence. A movimentação reacendeu o temor de venda, justamente quando o bitcoin opera abaixo do custo médio acumulado pela tesouraria.

O cenário pesa porque o ativo está em US$ 73.907 (R$ 374.614), com avanço modesto de 1,5% nas últimas 24 horas. O preço continua bem abaixo do custo médio de aquisição da Strategy, próximo de US$ 75 mil, e ainda mais distante dos lotes comprados acima de US$ 80 mil durante o auge de 2025.

Polymarket precifica venda iminente

Operadores de mercados de previsão reagiram em poucas horas. No Polymarket, o contrato que pergunta se a Strategy venderá qualquer fração de seu estoque até 31 de dezembro de 2026 saltou para 91% de probabilidade. A oscilação foi de 68 pontos percentuais em 24 horas, refletindo o peso que o depósito teve na percepção de risco.

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O movimento na Coinbase Prime não confirma venda. Mas, historicamente, depósitos institucionais nessa plataforma costumam preceder execuções OTC. Foi exatamente esse o padrão observado em depósitos recentes da BlackRock, que também desencadearam corridas para o curto.

A tese fiscal defendida por Phong Le

Em entrevista à Fox Business na quarta-feira (28), o CEO Phong Le tentou enquadrar uma eventual venda como manobra contábil, não capitulação. Segundo ele, a Strategy pode liquidar lotes comprados nos picos para registrar prejuízos não realizados e gerar economia tributária imediata. Com o caixa reforçado pela operação, a companhia recompraria BTC em níveis menores, aumentando o indicador de bitcoin por ação.

“Provavelmente venderemos Bitcoin em algum momento, mas seguiremos aumentando o estoque líquido e, mais importante, o seu Bitcoin por ação”, afirmou Le na entrevista à emissora americana. A empresa fechou o primeiro trimestre de 2026 com aproximadamente US$ 871 milhões em caixa, após quitar antecipadamente parte de sua dívida conversível.

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O que muda para o investidor brasileiro

O ângulo fiscal explicado por Le tem peso técnico, mas não anula o impacto narrativo. A Strategy se consolidou como a referência global de tesouraria corporativa em BTC, e qualquer sinal de redução do estoque alimenta o discurso bear. O sentimento já está fragilizado: levantamento da Glassnode mostra que mais de 8,33 milhões de BTC estão no prejuízo após a perda da casa dos US$ 80 mil, conforme dados publicados nesta semana.

Para o investidor brasileiro, há um agravante. As principais exchanges locais usam a referência da Coinbase para precificar BTC em reais, o que torna qualquer venda institucional capaz de pressionar a cotação no mercado doméstico em minutos. Com o dólar a R$ 5,07, uma queda de 3% no preço internacional do BTC apaga cerca de R$ 11 mil por unidade negociada localmente.

O quadro técnico amplia o desconforto. Saylor publicou recentemente apenas a palavra “HODL” em sua conta no X, enquanto a companhia acumula prejuízo não realizado superior a US$ 2,4 bilhões. A combinação de mensagem dúbia, depósito em prime broker e admissão pública de venda tática deixou o mercado em alerta máximo para os próximos dias. A próxima janela 13F da SEC, com posições atualizadas da tesouraria, deve ser observada com lupa por traders e analistas.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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