A maior ameaça para o preço do Bitcoin acaba de despencar 17%

  • STRC fechou a US$ 88,59 e marcou mínima histórica de US$ 82,53
  • Compras semanais da Strategy caíram de US$ 2,54 bi em abril para US$ 100 mi em junho
  • Peter Schiff classifica STRC como Ponzi centralizado e Saylor amplia dividendos quinzenais

O STRC, peça central do motor de captação da Strategy de Michael Saylor para comprar Bitcoin, opera com desconto de quase 13% em relação ao valor de face. A cotação preocupa investidores porque o veículo foi desenhado para girar próximo dos US$ 100. Esse patamar visa sustentar a roda de aquisição de BTC da companhia.

Na quinta-feira, o STRC tocou mínima histórica de US$ 82,53 antes de encerrar a US$ 88,59. Desde o lançamento, em julho de 2025, o preço do Bitcoin recuou cerca de 50%, e a tese de funding alavancada em BTC entrou no radar dos críticos.

STRC abaixo do par trava emissões at-the-market

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O Stretch foi estruturado como ação preferencial com dividendo ajustável, hoje em 11,5% ao ano. Além disso, os recursos captados seguem direto para o caixa de Bitcoin. O problema é que o yield efetivo já passou de 12,9% com a queda do papel, encarecendo o custo de capital da Strategy.

A consequência foi imediata. A companhia pausou parte das emissões at-the-market de STRC e migrou o pagamento de dividendos para um calendário quinzenal. Dessa forma, o desembolso passou a ser dividido em duas parcelas por mês. O ajuste tenta acomodar o fluxo de caixa em um ambiente menos favorável à roda de captação.

O ritmo de compras reflete o aperto. Strategy adicionou 1.550 BTC por US$ 101 milhões na semana encerrada em 8 de junho e outros 1.587 BTC por US$ 100 milhões sete dias depois. Assim, elevou o tesouro a 846.842 BTC. Em abril, a empresa havia abocanhado 34.164 BTC em uma única semana, por US$ 2,54 bilhões. Em maio, foram mais 24.869 BTC. A média semanal de junho equivale a menos de 5% do que era dois meses antes.

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Saylor vende 32 BTC para cobrir dividendos

O detalhe mais incômodo da janela apareceu no início de junho: a Strategy vendeu 32 BTC, equivalentes a US$ 2,5 milhões, para honrar obrigações com dividendos. O volume é irrelevante diante do tesouro total. Porém, quebra simbolicamente o mantra do “nunca vender” que sustentou a narrativa de Saylor desde 2020.

Para o crítico Peter Schiff, o desenho do STRC funciona como “um Ponzi centralizado clássico” — a tese depende da capacidade contínua de vender novas ações ou liquidar BTC para pagar quem entrou antes. O trader DonAlt foi na mesma linha. Ele questionou por que o instrumento “negocia como Ponzi” após romper o par.

Jesse Myers defende tese de liquidação de alavancagem

Nem todo mundo lê o movimento como deterioração estrutural. Jesse Myers, chefe de estratégia Bitcoin da Smarter Web Company, afirmou em publicação no X que a queda foi um wipeout de alavancagem, não uma quebra de fundamentos. Segundo seus cálculos, a Strategy conseguiria pagar dividendos do STRC por 32 anos nas condições atuais. Além disso, pagaria indefinidamente caso o BTC se valorize 2% ao ano.

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O analista Scott Melker chamou atenção para outro ponto: dividendos são calculados sobre o valor de liquidação de US$ 100, não sobre o preço de mercado. Desse modo, quem compra a US$ 85 trava um yield de aproximadamente 13,5%. Isso atrai investidores de renda em busca de retorno superior ao Treasury americano.

O caso interessa diretamente ao investidor brasileiro exposto a MSTR via BDR ou ETFs internacionais. Com o Bitcoin cotado a US$ 64.213 (cerca de R$ 331 mil), o preço médio de aquisição do tesouro da Strategy ainda sustenta margem confortável. No entanto, o aperto no funding limita o efeito multiplicador que ajudou a derivar o papel da MSTR para múltiplos elevados sobre o NAV. A próxima definição de taxa do dividendo, prevista para 30 de junho, deve sinalizar se a companhia pretende preservar a janela de emissão. Alternativamente, pode apertar ainda mais o cinto. No radar paralelo, analistas avaliam se o estresse no STRC pode contagiar o BTC em um cenário de saques contínuos em ETFs spot. Além disso, a leitura do on-chain de Ki Young Ju aponta que Saylor sozinho não evita estagnação.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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