- SEC aprova mudança de regra para listar ETF cripto ativo da T. Rowe Price na NYSE Arca
- Fundo terá entre 5 e 15 ativos, incluindo SHIB, DOGE, BTC, ETH, SOL e XRP
- Gestora administra US$ 1,8 trilhão e fez sua estreia em cripto em outubro de 2025
A T. Rowe Price, gestora norte-americana com mais de US$ 1,8 trilhão sob administração, recebeu sinal verde da SEC para avançar com seu primeiro ETF de criptomoedas. O documento da autarquia, datado de 12 de junho de 2026, aprova a mudança de regra proposta para listar e negociar cotas do T. Rowe Price Active Crypto ETF na NYSE Arca.
A decisão libera um produto que chama atenção pela composição ampla, o fundo poderá carregar entre 5 e 15 criptoativos simultaneamente, com gestão ativa. Na lista atual de elegíveis figuram Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Solana (SOL), XRP, Cardano (ADA), Avalanche, Litecoin, Polkadot, Hedera, Bitcoin Cash, Chainlink, Stellar, Sui e duas memecoins de peso: Shiba Inu (SHIB) e Dogecoin (DOGE).
A entrada de SHIB e DOGE em um veículo regulado por uma gestora trilionária marca um ponto de virada simbólico. Até agora, memecoins ficavam restritas a exchanges spot, fundos europeus de menor porte e produtos de nicho. Com o aval da SEC, ambos passam a ter porta de entrada para a alocação de carteiras tradicionais que só operam via produtos listados em bolsa.
Linha do tempo até o aval da SEC
A T. Rowe Price protocolou o pedido inicial em outubro de 2025, marcando sua estreia oficial no segmento cripto. O caminho até a aprovação passou por duas emendas. Em 21 de abril de 2026, a primeira modificação foi protocolada e, três dias depois, a SEC publicou o aviso público da proposta com a Emenda nº 1.
A segunda emenda chegou em 26 de maio. Apenas 17 dias depois, no dia 12 de junho, saiu a ordem aprovando a mudança de regra com base no texto revisado. O despacho move o produto para a fase final antes do início efetivo das negociações, dependente agora de etapas operacionais como registro do prospecto e definição da taxa de administração.
O timing dialoga com um movimento mais amplo de gestoras tradicionais correndo para ocupar espaço em cripto. A BlackRock acelerou o lançamento do BITA, seu ETF de Bitcoin com geração de renda, justamente para se antecipar a Goldman Sachs e outras concorrentes. T. Rowe entra com proposta distinta, gestão ativa multiativo, em vez de exposição passiva a um único token.
SHIB e DOGE ganham tração institucional no mesmo ciclo
A aprovação se soma a outro movimento relevante para as duas memecoins. Nesta semana, a Mercari, um dos maiores marketplaces do Japão com 23 milhões de usuários ativos mensais, adicionou Shiba Inu e Dogecoin ao seu portfólio cripto. A combinação amplia significativamente o varejo asiático com acesso direto aos tokens.
No mercado spot, o cenário ainda é morno. O DOGE é negociado a US$ 0,0883 (R$ 0,45). O BTC opera em US$ 64.260, e o ETH em US$ 1.681, ambos em recuperação técnica após a forte correção das últimas semanas. A reação do preço de DOGE à notícia foi contida sinal de que o mercado já precifica parcialmente o avanço regulatório dos ETFs ativos.
CVM ainda mantém memecoins fora dos ETFs locais
No Brasil, a régua é outra. A CVM autorizou nos últimos anos ETFs de Bitcoin, Ethereum, Solana e XRP listados na B3, mas mantém uma postura conservadora sobre tokens classificados como memecoins. Não há, até o momento, produto local com exposição direta a SHIB ou DOGE e nem sinal de que o regulador pretenda chancelar veículos multiativo com a amplitude permitida pela NYSE Arca.
Isso significa que, para o investidor brasileiro, o caminho para acessar o ETF da T. Rowe passará por corretoras internacionais ou BDRs caso a gestora opte por replicar o produto via certificados de depósito. A estrutura ativa também pode encarecer a taxa frente aos ETFs spot puros já disponíveis no varejo americano.
