Tether troca títulos dos EUA por ouro e Bitcoin e desafia a crise — movimento genial ou exposição perigosa?

Tether troca títulos dos EUA por ouro e Bitcoin e desafia a crise — movimento genial ou exposição perigosa?
  • Tether afirma estar “suando menos” que rivais durante a recente queda do mercado cripto.
  • Participação de ativos como ouro e Bitcoin subiu de 17% para 24% entre 2024 e 2025.
  • S&P rebaixou avaliação da empresa por maior exposição a reservas consideradas de alto risco.

A Tether, emissora da maior stablecoin do mundo, afirma que atravessa a recente turbulência do mercado cripto com relativa tranquilidade.

Segundo Bo Hines, CEO da subsidiária americana USAT, a diversificação em ativos reais como ouro, Bitcoin e terras agrícolas colocou a empresa em posição mais confortável diante da queda nos preços.

Diversificação em ativos reais sustenta discurso de resiliência

Durante a conferência Digital Assets at Duke, em 5 de fevereiro, Hines foi direto:

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“Mesmo em um mercado tortuoso como o de hoje, provavelmente somos a empresa cripto que está suando menos”.

A estratégia, segundo ele, envolve foco em ativos tangíveis.

“Somos bastante diversificados em nossos investimentos. A Tether ama Bitcoin, ama ouro e também ama terras. Ativos reais que as pessoas valorizam”, afirmou.

O USDT mantém liderança global entre as stablecoins, com valor de mercado de US$ 184 bilhões. Já a USAT, lançada nos Estados Unidos no mês passado, possui apenas US$ 20 milhões em circulação.

Entretanto, a composição das reservas mudou. Entre setembro de 2024 e novembro de 2025, a fatia de ativos considerados de maior risco, como ouro e Bitcoin, subiu de 17% para 24%.

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No mesmo período, a exposição a títulos do Tesouro americano caiu de 81% para 75%, segundo a S&P Global.

Além disso, a empresa ampliou investimentos fora do mercado financeiro tradicional. Tornou-se uma das maiores detentoras de ouro do mundo. Também virou a terceira maior acionista da Adecoagro, gigante agrícola da Argentina.

Expansão para novos negócios amplia exposição e riscos

A Tether não se limita às reservas do USDT, a empresa minera Bitcoin, desenvolve software para carteiras digitais e opera a Hadron, focada em tokenização de ativos. Além disso, lançou o aplicativo de mensagens descentralizado Keet.

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No último ano, entrou até no setor de bem-estar e anunciou investimento na empresa de robótica humanoide Generative Bionics. Também tentou comprar o clube italiano Juventus, mas teve a proposta rejeitada.

Por isso, Hines classificou a companhia como “a empresa de tecnologia mais prolífica do mundo neste momento”.

Entretanto, o movimento não passou sem críticas. Em novembro, a S&P Global rebaixou a avaliação de estabilidade da Tether. A agência apontou que a maior exposição a ativos voláteis pode aumentar a vulnerabilidade em cenários de estresse extremo.

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Ainda assim, a empresa reportou lucro de US$ 10 bilhões em 2025, embora abaixo do ano anterior. Parte desse resultado refletiu o reforço nas reservas e a ampliação do portfólio de investimentos.

A estratégia divide opiniões. De um lado, a diversificação pode proteger receitas em ciclos de baixa. De outro, amplia a exposição a oscilações de mercado, especialmente no caso do Bitcoin.

No curto prazo, a Tether mantém liderança confortável no setor. No entanto, a mudança no perfil das reservas pode influenciar debates regulatórios e avaliações de risco.

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Em um mercado cada vez mais monitorado, transparência e liquidez seguem no centro das atenções.

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Adepto do DeFi e convertido à descentralização, deixei o sistema financeiro tradicional para viver a revolução cripto de dentro. Respirando blockchain, escrevendo sobre o que move o futuro — longe dos bancos, perto da liberdade.
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