- Trump definiu domingo como prazo para decidir entre acordo ou ataque ao Irã
- Bitcoin caiu para US$ 76.500, mínima de duas semanas, após alerta presidencial
- Senado dos EUA aprovou 50-47 limite aos poderes de guerra do presidente
O Bitcoin recuou para a mínima de duas semanas na esteira das declarações do presidente Donald Trump sobre uma possível ação militar contra o Irã. O ativo chegou a tocar US$ 76.500 antes de ensaiar uma recuperação parcial. A janela de decisão definida pelo próprio presidente é curta: domingo.
Segundo relato de Trump, ele estava a uma hora de autorizar ataques contra alvos iranianos quando recebeu ligações de aliados do Golfo. Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes pediram contenção. A ofensiva, marcada para 19 de maio, foi suspensa, mas as forças americanas seguem em prontidão.
O impasse nuclear por trás do prazo
A escalada atual nasce do colapso de acordos nucleares anteriores e do cessar-fogo da chamada Guerra dos Doze Dias, em 2025. No início de maio, Teerã rejeitou como “totalmente inaceitável” a proposta de paz apresentada por Washington. A resposta de Trump veio com a frase “o relógio está correndo”, expressão que voltou a ecoar nesta semana.
O Congresso americano reagiu. O Senado aprovou por 50 a 47 uma resolução para restringir o uso unilateral dos poderes de guerra pelo presidente em relação ao Irã. O texto não bloqueia a ação militar, mas adiciona obstáculo procedimental. O ativo digital ensaiou leve alta logo após o resultado da votação, sinal de que o mercado interpretou o gesto como freio institucional.
Como o mercado cripto precificou a tensão
A queda não se restringiu ao BTC. Ether e outras grandes capitalizações cederam terreno simultaneamente, em movimento típico de aversão a risco. Bilhões de dólares em valor de mercado evaporaram em poucas horas após cada declaração presidencial. O padrão repete o que já se viu em episódios recentes do conflito, em que falas de Trump funcionaram como gatilho imediato para realização de lucros.
O ponto sensível é o Estreito de Ormuz. Por ele passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo. Qualquer bloqueio ou ataque na região elevaria preços de energia, apertaria condições financeiras globais e criaria vento contra para ativos especulativos. O fator macro pesa especialmente sobre cripto, que vive nas últimas semanas sob a sombra de uma possível alta de juros do Fed.
Leitura para o investidor brasileiro
Para quem opera no Brasil, o efeito é duplo. Uma escalada no Oriente Médio tende a fortalecer o dólar globalmente, o que aumenta o valor do Bitcoin em reais mesmo em quedas medidas em dólar. Em 26 de maio, com a cotação do BTC perto de US$ 76,5 mil e o dólar pressionado pelo risco geopolítico, o ativo em moeda local manteve-se acima de R$ 420 mil — patamar que limita o impacto da correção para investidores expostos via exchanges nacionais.
O comportamento também espelha o que ocorreu em junho de 2025, durante o primeiro ciclo de tensão direta entre Washington e Teerã. Naquela ocasião, o Bitcoin caiu 8% em 72 horas e recuperou o terreno perdido em menos de duas semanas, após sinais de desescalada. O histórico recente sugere que o mercado tende a tratar choques geopolíticos como eventos transitórios, desde que não haja interrupção física no fluxo de petróleo.
O Senado votou com base em registro oficial do Congresso. Traders que atravessaram a queda para US$ 76,5 mil sem grandes perdas não foram os que acertaram a previsão, mas os que mantiveram tamanho de posição compatível com o cenário binário. Entre acordo e ataque, o domingo dirá qual rota Washington toma — e o mercado cripto reage primeiro.
