- Bitcoin caiu 13,4% em um ano, apesar do avanço regulatório nos EUA.
- Altcoins sofreram perdas maiores, com quedas de até 63%.
- Família Trump lucrou cerca de US$ 1,4 bilhão com projetos ligados a criptomoedas.
O primeiro ano de Donald Trump de volta à Casa Branca trouxe sinais claros de apoio ao setor cripto.
Entretanto, os preços despencaram. Enquanto investidores acumularam perdas, os negócios cripto ligados ao presidente prosperaram.
Otimismo regulatório não impediu a queda do mercado
O mercado iniciou 2025 com expectativas elevadas, Trump se apresentou como “presidente do Bitcoin” e prometeu transformar os EUA na capital global das criptomoedas.
Além disso, nomeou um “czar cripto” e indicou um presidente favorável ao setor para a SEC. Pouco depois, sancionou a Genius Act, primeira lei federal focada em regular parte da indústria cripto.
Esse movimento representou uma ruptura com a era de Gary Gensler. Por isso, parte do mercado passou a esperar maior previsibilidade regulatória.
Entretanto, os preços seguiram em queda, segundo dados da CoinGecko, o Bitcoin recuou 13,4% desde janeiro de 2025. Já o Ethereum caiu cerca de 9% no mesmo período.
O cenário foi ainda pior entre as altcoins, o XRP perdeu 39%, o Solana (SOL) caiu quase 50% e o Cardano (ADA) desvalorizou 63%.
Esses números indicam que o avanço regulatório, sozinho, não sustentou o mercado. Além disso, fatores macroeconômicos pesaram de forma decisiva.
Tarifas, choques macro e aumento da volatilidade
A política comercial de Trump teve impacto direto nos ativos de risco. As tarifas anunciadas em abril, chamadas de “Liberation Day”, derrubaram o Bitcoin para US$ 76.300, menor nível desde novembro de 2024.
Posteriormente, em 10 de outubro, a imposição de uma tarifa recíproca de 100% sobre a China provocou nova queda. O Bitcoin recuou até 10% em um único dia. Bilhões de dólares foram liquidados no mercado cripto.
Além disso, críticas recorrentes à independência do Federal Reserve ampliaram a incerteza. Tensões geopolíticas também contribuíram para oscilações mais intensas.
Segundo a Bloomberg:
“criptomoedas continuam altamente sensíveis a choques macroeconômicos, mesmo em ambientes regulatórios mais claros”.
Portanto, apesar do discurso favorável, o setor seguiu tratado como ativo especulativo. Em momentos de estresse, absorveu rapidamente o impacto.
Trump se destaca como principal beneficiado
Trump se destacou como o principal beneficiado da expansão cripto. Enquanto o mercado caía, projetos ligados à sua família avançaram, como uma memecoin própria e a DeFi World Liberty Financial.
Segundo a Bloomberg, essas iniciativas renderam cerca de US$ 1,4 bilhão em um ano, hoje, mais de 20% da fortuna da família está em ativos digitais.
Os ganhos geraram críticas e suspeitas de conflito de interesse, ainda assim, Trump mantém o apoio público ao setor e defende o avanço do Clarity Act, reforçando o contraste entre perdas do mercado e seus lucros pessoais.
