- USDT atingiu US$ 186,07 bilhões e ultrapassou Ethereum no ranking global
- ETH acumula queda para US$ 1.580 após máxima de US$ 4,9 mil em setembro
- Stablecoin cresce com demanda em DeFi enquanto ETH enfrenta capitulação
O USDT entrou para a história do mercado cripto. A stablecoin emitida pela Tether ultrapassou o Ethereum em capitalização de mercado pela primeira vez em mais de sete anos, atingindo brevemente US$ 184,48 bilhões antes de subir a US$ 186,07 bilhões. O movimento expõe a fragilidade do segundo maior ativo cripto em meio ao bear market que dominou 2026.
Os dados foram compartilhados pela empresa de análise on-chain Arkham, em publicação no X. Hoje, o ETH recuperou o segundo lugar por margem estreita, mas o simbolismo da ultrapassagem ficou marcado como sinal da força crescente das stablecoins no ecossistema.
Ethereum cai de US$ 4,9 mil para US$ 1.580 em nove meses
A queda do Ethereum tem sido acelerada. O ativo negocia atualmente perto de US$ 1.580, o equivalente a cerca de R$ 8.178 na conversão direta para reais. Há nove meses, o ETH operava na máxima histórica de US$ 4,9 mil. A perda supera 67% nesse intervalo.
A fase de capitulação se intensificou desde o início de junho. O movimento empurrou o ativo para mínimas de vários anos e reduziu o valor de mercado a níveis que abriram brecha para a ultrapassagem da Tether. Bitcoin também opera em queda no período, mas mantém capitalização próxima de US$ 1,21 trilhão, sem ameaça imediata ao posto de líder.
Para o investidor brasileiro, o cenário tem leitura adicional. As principais exchanges locais Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitybank operam ETH com volume relevante, e a desvalorização afeta diretamente carteiras expostas ao ativo via produtos de staking ou ETFs locais como o QETH11.
Oferta de USDT cresce com demanda em DeFi
Diferentemente das criptomoedas tradicionais, a capitalização do USDT depende exclusivamente da quantidade de tokens em circulação. A Tether emite novas unidades quando há demanda por liquidez em dólar e queima quando o resgate ocorre. Nos últimos meses, a tendência tem sido de expansão líquida da oferta.
Protocolos DeFi oferecem retornos passivos sobre depósitos em USDT em taxas superiores às de bancos tradicionais. Esse incentivo acelera a migração de capital para a stablecoin, especialmente em fases de aversão a risco. O resultado é um efeito dominó, quanto mais o mercado cai, mais investidores rotacionam para dólar tokenizado, o que infla ainda mais o market cap do USDT.
O contraste com o Ethereum fica evidente. A rede mantém mais de 120 milhões de endereços e segue como espinha dorsal do DeFi e dos contratos inteligentes. Ainda assim, a pressão vendedora sobre o ETH não cede, e o valor travado em protocolos perdeu fôlego junto com a cotação. Outras stablecoins seguem trajetória semelhante de crescimento, com destaque para USDC.
Banco Central brasileiro mira stablecoins
O avanço da Tether reacende debate regulatório no Brasil. O Banco Central publicou proposta que prevê retenção de 24h em saques de stablecoins via prestadores de serviços de ativos virtuais. A medida busca conter a fuga de capital via dólar tokenizado, fenômeno que ganhou tração em meio à volatilidade cambial.
Outras jurisdições caminham na direção oposta. Hong Kong prepara emissão das primeiras stablecoins reguladas em 2026, sob supervisão da HKMA. O contraste entre travas brasileiras e aberturas asiáticas pode definir para onde fluem novas emissões nos próximos trimestres.
Tether emite USDT em blocos bilionários
A Tether segue cunhando USDT em lotes bilionários para atender exchanges centralizadas e mesas OTC. A frequência das emissões nas redes Tron e Ethereum tem sido monitorada por analistas como termômetro de demanda institucional por liquidez em dólar. A leitura recente sugere apetite contínuo, mesmo com o restante do mercado em queda.
O dado destoa do comportamento do ETH no derivativos. Posições vendidas em Ethereum atingiram volumes elevados nas últimas semanas, com baleias abrindo shorts alavancados de até 20x. A combinação reforça a tese de que a Tether pode consolidar o segundo lugar caso o cenário macro siga adverso no terceiro trimestre.
