- XRP forma cunha descendente desde novembro de 2024 e comprime volatilidade
- Rompimento projeta alvo entre US$ 1,90 e US$ 2,10, alta de até 98%
- Endereços ativos no XRP Ledger sobem 36% em duas semanas
O XRP se aproxima de uma decisão técnica após meses de compressão de preço. O ativo negocia em US$ 1,10 (cerca de R$ 5,77) nesta sexta-feira e acumula queda superior a 70% desde o topo histórico de US$ 3,66, registrado em julho de 2025.
Em publicação no X, o operador afirmou estar comprando o ativo nos preços atuais. A tese, aproveitar a fase final de consolidação de um padrão gráfico iniciado há oito meses. Michael projeta um alvo entre US$ 1,90 e US$ 2,10, o que representaria alta de 79% a 98% em relação ao patamar atual.
Anatomia da cunha que comprime o XRP desde novembro
A estrutura começou a se desenhar durante a corrida altista de novembro de 2024. O suporte da cunha se firmou perto de US$ 2,10, e o topo passou a se formar em julho de 2025, quando o XRP tocou seu recorde. Desde então, o gráfico semanal mostra topos e fundos progressivamente mais baixos.
Essa geometria não é neutra. Cunhas descendentes tendem a preceder rompimentos violentos porque comprimem oferta e demanda em uma faixa cada vez mais estreita. Compradores e vendedores se equilibram, a volatilidade implícita cai, e o mercado acumula energia direcional. Foi exatamente esse padrão que motivou a entrada do analista.
Na semana passada, o preço testou a linha inferior da cunha. Compradores defenderam o suporte e o ativo subiu 6% desde a mínima, ancorando o início de julho em terreno positivo. O próximo teste importante é a resistência superior da estrutura, que aponta para a região dos US$ 2.
Por que a faixa de US$ 2 é decisiva
A zona entre US$ 1,90 e US$ 2,10 não é aleatória. Foi ali que o XRP encontrou o topo do ciclo de 2021, especificamente em US$ 1,96. Depois de romper esse teto em novembro de 2024 e alcançar US$ 3,39 em janeiro de 2025, o ativo retornou à mesma faixa e construiu base por semanas antes do impulso final até o recorde.
Reconquistar esse patamar tem, portanto, valor duplo, fecha o rompimento da cunha e restaura um suporte histórico que já serviu de base para pernas altistas anteriores. Enquanto o preço não recuperar essa região, a leitura estrutural segue defensiva mesmo em cenários de alívio de curto prazo, como o discutido em análises recentes sobre a defesa do suporte em US$ 1,06.
Endereços ativos sobem 36% e baleias retiram XRP de exchanges
A fundamentação on-chain reforça o argumento técnico. Novos endereços ativados no XRP Ledger chegaram a 6 mil por dia, maior nível em três meses. Endereços ativos totais subiram 36% em duas semanas, indicando retomada de uso da rede.
O comportamento das baleias também mudou. O spread entre grandes carteiras e varejo nas exchanges avançou 24,9%, mostrando que investidores relevantes estão retirando XRP das corretoras em ritmo superior ao público de varejo. Historicamente, saída de moedas das exchanges reduz oferta líquida disponível para venda e antecede movimentos de alta.
Efeito local: derivativos e liquidez em real
Para o investidor brasileiro, o cenário exige atenção redobrada às exchanges nacionais. O XRP figura entre os ativos mais negociados no país e concentra volume expressivo em derivativos perpétuos. Um rompimento técnico na magnitude projetada por Michael tende a disparar liquidações em cascata padrão já visto em episódios anteriores, como o estouro de US$ 634 milhões em posições vendidas quando o ativo rompeu US$ 1,05.
Some-se a isso o pano de fundo regulatório, o Banco Central discute regras mais rígidas de capital para corretoras cripto, o que pode alterar a liquidez local em ativos como XRP. A nova arquitetura prudencial prevista para 2027 já é acompanhada de perto pelo setor.
