- Mercado Livre encerra Mercado Coin e muda estratégia cripto
- Usuários terão até abril para vender ou converter saldos
- Empresa mantém serviços com criptomoedas e exposição ao setor
O Mercado Livre anunciou nesta terça-feira (31) o encerramento da Mercado Coin, criptomoeda lançada em agosto de 2022 como parte de sua estratégia de fidelização de usuários. A empresa comunicou a decisão diretamente aos clientes por meio do Mercado Pago e iniciou um processo de descontinuação gradual do ativo.
A partir de 17 de abril, os usuários não poderão mais comprar, vender ou receber cashback em Mercado Coin. Na prática, a medida encerra todas as funcionalidades que sustentavam o uso da criptomoeda dentro do ecossistema da companhia.
O comunicado também orienta os clientes sobre os próximos passos. Até a data limite, os usuários poderão vender suas Mercado Coins no aplicativo, utilizá-las em compras no marketplace ou aguardar a conversão automática para reais. Nesse último caso, o valor será depositado diretamente na conta do Mercado Pago.
A empresa informou que o restante da plataforma continuará operando normalmente. O acesso, login e demais funcionalidades do aplicativo não sofrerão alterações, com exceção da retirada da criptomoeda.
Estratégia muda em meio à maturidade do mercado
O Mercado Livre não detalhou oficialmente os motivos para o encerramento da Mercado Coin. Ainda assim, o movimento ocorre em um momento de maior amadurecimento do mercado cripto e de revisão estratégica por parte de grandes empresas de tecnologia.
Nos últimos anos, diversas companhias testaram modelos próprios de tokens voltados à fidelização. No entanto, muitos desses projetos enfrentaram desafios relacionados à adoção, utilidade prática e integração com o restante do ecossistema financeiro.
Apesar do fim da Mercado Coin, o Mercado Livre mantém outras iniciativas no setor. A empresa continua oferecendo serviços de compra e venda de criptomoedas dentro do Mercado Pago e mantém exposição a ativos digitais como parte de sua estratégia.
Esse ponto indica que a decisão não representa uma saída completa do mercado cripto, mas sim uma reavaliação sobre o uso de tokens próprios como ferramenta de engajamento.
Do entusiasmo inicial à revisão de modelo
Quando lançou a Mercado Coin, em 2022, o Mercado Livre apresentou o projeto como uma inovação estratégica. A proposta era integrar recompensas diretamente ao ambiente de compras, incentivando o uso recorrente da plataforma.
Os usuários acumulavam tokens ao realizar compras em produtos selecionados e podiam utilizar esses ativos em novas transações ou convertê-los em moeda local. A solução funcionava de forma integrada ao Mercado Pago, facilitando o acesso e a negociação.
Além disso, para viabilizar a operação, a empresa firmou parceria com a Ripio, responsável pela custódia e pela infraestrutura de negociação. A criptomoeda foi construída sobre o padrão ERC-20 da rede Ethereum, garantindo rastreabilidade e segurança nas transações.
Na época do lançamento, executivos destacaram o potencial da iniciativa. Fernando Yunes, vice-presidente sênior do Mercado Livre no Brasil, afirmou que a Mercado Coin ampliaria a experiência dos usuários e fortaleceria o programa de fidelidade.
Além disso, a empresa vinha demonstrando interesse crescente no setor. O Mercado Livre realizou investimentos em companhias como Paxos e Mercado Bitcoin e chegou a manter cerca de US$ 30 milhões em Bitcoin como reserva de valor.
Assim, o encerramento da Mercado Coin, portanto, marca uma inflexão nessa estratégia. Embora a empresa continue presente no universo de ativos digitais, o fim do token próprio sugere que modelos baseados em criptomoedas internas ainda enfrentam desafios para se sustentar no longo prazo.
Com isso, o movimento do Mercado Livre reflete uma tendência mais ampla do mercado: a busca por aplicações mais eficientes e escaláveis para a tecnologia blockchain, além de uma seleção natural dos projetos que conseguem entregar valor real aos usuários.
