Atividade ilegal com criptomoedas dispara 160%, alerta Chainalysis

Preço sobe, perigo também: crimes violentos contra holders de criptomoedas disparam
  • Atividade ilícita com cripto dispara 160% em 2025.
  • Rússia e China ampliam uso criminal de criptomoedas.
  • Golpes e sequestros ligados a cripto crescem globalmente.

A atividade ilegal com criptomoedas disparou 160%, segundo novo relatório da Chainalysis, e esse salto já provoca forte preocupação entre analistas, reguladores e especialistas em segurança digital. Embora o mercado global de criptoativos siga crescendo de forma constante, a pressão sobre os mecanismos de controle aumenta. Isso ocorre especialmente porque grupos criminosos estão adotando estratégias cada vez mais complexas. Ainda assim, a participação dessas operações ilícitas permanece abaixo de 1% do volume total. Esse dado reforça a necessidade de contextualizar os resultados para evitar conclusões precipitadas.

De acordo com o estudo, as wallets ligadas a atividades criminosas receberam mais de US$ 154 bilhões em 2025, um aumento anual de 162%. A investigadora colombiana Nidia Soto afirma que o ano marcou um salto qualitativo no modo de operação dessas redes. Segundo ela, esses grupos agora recorrem a métodos mais elaborados para movimentar grandes quantias. Ela destaca que o crime organizado encontrou no ambiente cripto um espaço fértil para evoluir suas estruturas. Isso ocorre principalmente ao explorar falhas geopolíticas e brechas regulatórias.

Além disso, Soto aponta que a consolidação de estratégias de evasão de sanções internacionais se tornou um dos principais motores desse crescimento. A Chainalysis identifica que certos Estados vêm desenvolvendo sistemas paralelos justamente para escapar das restrições impostas por organismos globais. O caso mais emblemático é o da Rússia, que criou infraestrutura própria e lançou o token A7A5, lastreado em rublos. Esse ativo teria permitido movimentações de cerca de US$ 93,3 bilhões em menos de um ano, segundo o relatório.

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Criptomoedas

Ao mesmo tempo, as redes de lavagem de dinheiro baseadas na China passaram a operar como verdadeiras plataformas multifuncionais. Essas organizações oferecem desde a conversão de ativos ilícitos até suporte logístico para o financiamento de atividades extremistas. Assim, ampliam o nível de sofisticação e impacto global desses esquemas. A analista observa que esse fenômeno indica uma mudança profunda no perfil do crime. Dessa forma, a criminalidade deixa de se limitar ao ambiente digital.

Soto reforça que o “delito virtual já se expressa no mundo real”, citando o crescimento de casos de sequestros e coerção física para forçar vítimas a entregar suas criptomoedas. Autoridades europeias vêm alertando para esse avanço. A França aparece como um dos países onde esse tipo de crime cresce de forma mais agressiva. Relatórios recentes mostram que usuários de cripto são alvo preferencial devido à facilidade de movimentar fundos sem intermediários.

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Nos Estados Unidos, promotores federais desarticularam recentemente uma rede transnacional que usava engenharia social para roubar centenas de milhões em ativos digitais. Jovens envolvidos no esquema, como Evan Tangeman e Nicholas Dellecave, admitiram participação em operações que incluíam o lavado de US$ 3,5 milhões provenientes dessas práticas ilícitas. Isso reforça a escala crescente desses delitos.

Na Europa, reguladores também registram novos padrões de fraude. A Comissão Nacional do Mercado de Valores da Espanha informou um aumento expressivo nas chamadas “estafas amorosas”. Esses golpismos se aproveitam de vínculos afetivos para manipular vítimas. Paloma Marín, vice-presidente do órgão, afirma que os criminosos agora usam inteligência artificial para tornar abordagens mais convincentes e difíceis de detectar.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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