- Emin Gün Sirer afirma que queda de recompensas supera ameaça quântica
- CoinShares estima entre 15% e 20% de mineradores operando no prejuízo
- Custo médio para minerar 1 BTC chegou a US$ 79.995 no quarto trimestre
O fundador da Avalanche, Emin Gün Sirer, voltou a tensionar um debate antigo entre desenvolvedores e investidores: o que acontece com a segurança do Bitcoin quando as recompensas pagas aos mineradores ficarem pequenas demais para sustentar a rede.
Para Sirer, esse é um problema mais concreto do que ameaças amplamente discutidas, como a chegada de computadores quânticos capazes de quebrar criptografia ou a competição com blockchains rivais. A lógica é matemática. A cada halving, o Bitcoin reduz pela metade a quantidade de novos BTC emitidos por bloco. E é justamente essa emissão que paga a maior parte da conta dos mineradores.
O orçamento de segurança em debate
Mineradores dedicam capacidade computacional para validar transações e proteger a rede contra ataques. Em troca, recebem dois tipos de pagamento: o bloco-recompensa, que vem da emissão programada de novos bitcoins, e as taxas de transação pagas por usuários.
O ponto levantado por Sirer é simples. Se a emissão cai pela metade a cada quatro anos, em algum momento as taxas precisarão sustentar sozinhas o trabalho dos mineradores. E não está claro se o volume de transações na camada base do Bitcoin será suficiente para gerar esse fluxo.
Os números atuais reforçam o alerta. Relatório recente da CoinShares aponta que entre 15% e 20% da capacidade global de mineração já opera no vermelho sob as condições de mercado deste ano. Equipamentos antigos e operações com energia cara são as primeiras a sentir o aperto.
Assim, o quarto trimestre de 2025 foi descrito como o mais difícil para mineradores desde o halving de abril de 2024. Além disso, o hashprice — métrica que mede quanto um minerador ganha por unidade de poder computacional — caiu para perto das mínimas dos últimos cinco anos. O custo médio em caixa de empresas listadas para produzir 1 BTC ficou em torno de US$ 79.995, praticamente colado ao preço de mercado do ativo.
A saída técnica sugerida por Sirer
O fundador da Avalanche propôs um caminho técnico: uma camada de pré-consenso, capaz de organizar a atividade antes de chegar ao registro principal. A ideia, segundo ele, aliviaria a carga sobre a base do protocolo e abriria espaço para mais transações pagantes.
Assim, a proposta esbarra em uma característica histórica da comunidade Bitcoin. Mudanças no núcleo do protocolo costumam levar anos e enfrentam resistência maior quando tocam no modelo de segurança. Foi assim em discussões anteriores sobre escalabilidade, como o longo embate em torno do SegWit e do tamanho dos blocos.
Soluções recentes, como o Stratum V2 adotado por grandes mineradoras, atacam o problema da eficiência operacional, mas não respondem à questão de fundo levantada por Sirer.
Além disso, a leitura para quem investe é dupla. No curto prazo, mineradores apertados tendem a vender BTC produzido para cobrir custos, o que adiciona pressão de oferta. No longo prazo, se a tese de Sirer se confirmar, o Bitcoin precisará desenvolver um mercado de taxas robusto — algo que depende de demanda real por espaço em bloco, seja via Ordinals, Runes, soluções de segunda camada ou casos de uso ainda não consolidados.
Assim, a fala de Sirer foi compartilhada em publicação no X do próprio executivo, e dialoga com debates técnicos que circulam há anos entre desenvolvedores do Bitcoin Core sobre como financiar a segurança da rede após a emissão final, prevista para o ano de 2140.
