Bancos em guerra contra criptomoedas: O fim das recompensas para proteger “imposto oculto” de US$ 1.400 por família

Bancos em guerra contra criptomoedas O fim das recompensas para proteger “imposto oculto” de US$ 1.400 por família
  • Bancos protegem receita bilionária ao atacar recompensas de stablecoins
  • Stablecoins reduzem taxas e ameaçam margens confortáveis dos bancos
  • Disputa política gira em torno de US$ 360 bilhões anuais

Os maiores bancos dos Estados Unidos intensificaram a pressão política contra programas de recompensas em stablecoins. Eles afirmam defender a estabilidade financeira. No entanto, os números mostram outra motivação, proteger um fluxo anual de US$ 360 bilhões que beneficia diretamente o setor bancário.

Eles arrecadam US$ 176 bilhões em juros pagos pelo Federal Reserve e US$ 187 bilhões em taxas de transação cobradas dos comerciantes. Tudo isso gera quase US$ 1.400 por família em custos embutidos, segundo estimativas do setor.

A disputa pelas recompensas e o impacto no mercado

Quando Faryar Shirzad, diretor de políticas da Coinbase, alertou que as recompensas de stablecoins seguem sob risco no Congresso, ele expôs números que grupos bancários preferem evitar. Os bancos acumularam, em dezembro de 2025, quase US$ 3 trilhões em reservas no Fed. Essas reservas rendem juros sem risco, criando uma fonte de lucro constante.

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Essas receitas se tornaram permanentes após a adoção do modelo de reservas amplas, iniciado após 2008. E, como o Fed voltou a comprar títulos do Tesouro, esse saldo dificilmente diminuirá no curto prazo.

As stablecoins desafiam essa estrutura porque podem oferecer rendimentos competitivos usando os mesmos títulos públicos. Dessa forma, elas criam um sistema paralelo que permite ao usuário capturar o retorno que hoje fica concentrado nos bancos.

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Além disso, os bancos miram outra ameaça, a redução das receitas geradas por tarifas de cartão. Em 2024, os pagamentos com cartão movimentaram US$ 11,9 trilhões, com comerciantes pagando US$ 187,2 bilhões em taxas. As stablecoins reduzem esse custo drasticamente. Uma migração de apenas 5% do volume para transações on-chain poderia significar economia de US$ 9,3 bilhões para lojistas e perda equivalente para os bancos.

O lobby, a Lei Genius e a batalha sobre quem captura o spread

A Lei GENIUS, aprovada em 2025, proibiu emissores de stablecoins de pagar juros. Porém, as exchanges passaram a distribuir recompensas via programas de afiliados, classificados como benefícios de fidelidade, não como rendimento.

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Para os bancos, isso representa uma brecha perigosa. Por isso, 52 associações estaduais e a Associação Americana de Bancos pediram ao Congresso que estenda a proibição a todas as entidades envolvidas, inclusive corretoras.

Contudo, estudos mostram um risco menor do que o alegado. Pesquisas encomendadas pela Coinbase sugerem que os depósitos dos bancos comunitários cairiam menos de 1% em um cenário base. Já pesquisadores de Cornell indicam que seria necessário um rendimento próximo de 6% para causar impacto relevante, muito acima das recompensas atuais.

A verdadeira divergência ocorre em outra frente. As stablecoins distribuem parte do rendimento gerado pelos títulos do Tesouro, algo que reduz diretamente as margens dos bancos. Por isso, o setor tenta impedir que essas moedas funcionem como alternativas às contas remuneradas.

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O debate agora envolve até segurança nacional. A China já anunciou juros para o yuan digital, criando pressão geopolítica. Para críticos como John Deaton, restringir recompensas nos EUA enquanto rivais avançam criaria uma desvantagem estratégica.

No fim, o Congresso decidirá se aplica a regra de forma restritiva preservando a concorrência ou se amplia a proibição para proteger margens bancárias. Os bancos chamam isso de prudência. Os números mostram uma disputa por US$ 360 bilhões e pelo controle sobre quem fica com o valor gerado pelo dinheiro dos usuários.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia, comecei minha jornada com consoles no Nintendo 64. Sempre explorando novos gadgets e tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, meu maior hobby é jogar futebol.
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