- Produtos cripto atraem US$ 3,6 bilhões em três semanas consecutivas
- Bitcoin captura US$ 933 milhões com resistência em US$ 80,1 mil
- Fed decide política monetária em 28-29 de abril e define próxima tendência
Investidores institucionais injetaram US$ 1,2 bilhão em produtos de investimento cripto na última semana, marcando a terceira semana consecutiva com fluxos superiores a US$ 1 bilhão. Os dados da CoinShares mostram que o Bitcoin concentrou US$ 933 milhões dessa entrada, enquanto o Ethereum atraiu US$ 192 milhões. O movimento elevou os ativos sob gestão para US$ 155 bilhões, o maior nível desde 1º de fevereiro.
A sequência positiva — com entradas de US$ 1,1 bilhão, US$ 1,4 bilhão e US$ 1,2 bilhão nas três últimas semanas — totaliza US$ 3,6 bilhões acumulados desde 13 de abril. Os Estados Unidos dominaram a demanda regional com US$ 1,1 bilhão do total semanal. Apesar do avanço robusto, o valor ainda fica 41% abaixo do pico de outubro de 2025, quando os ativos chegaram a US$ 263 bilhões.
Sinais convergentes fortalecem tendência
Assim, a força da demanda vai além dos fundos de investimento. No mercado de derivativos regulados, a CME registrou salto de 62% no volume diário médio de contratos cripto no primeiro trimestre — de 191 mil para 310 mil contratos na comparação anual. O interesse em aberto médio diário alcançou 313.900 contratos, alta de 25% contra o primeiro trimestre de 2025.
ETFs de ações blockchain captaram US$ 617 milhões nas últimas três semanas. A CoinShares interpreta o movimento como sinal de que instituições buscam exposição à infraestrutura do setor paralelamente às posições diretas em moedas. No Brasil, ETFs de Bitcoin já controlam parcela crescente do fornecimento total.
No front corporativo, a Strategy mantém ritmo de acumulação. Documento protocolado na SEC em 27 de abril revela compra adicional de 3.273 BTC entre 20 e 26 de abril. A empresa agora detém 818.334 BTC a um custo agregado de US$ 61,8 bilhões, segundo dados da Bitcoin Treasuries. Em Hong Kong, a Bitfire mira acumular mais de 10 mil BTC dentro de um ano para sua estratégia “Alpha BTC” regulada.
Estrutura de mercado aponta fragilidade
Assim, análise da Glassnode de 22 de abril posicionou o Bitcoin acima da Média Verdadeira de Mercado em US$ 78.100. A base de custo dos detentores de curto prazo em US$ 80.100 agora funciona como teto de resistência imediato. Com o preço se aproximando dessa zona, mais de 54% dos compradores recentes entrariam em território de lucro — historicamente um ponto onde pressão vendedora intensifica.
O relatório aponta que detentores de curto prazo realizaram lucros a US$ 4,4 milhões por hora, quase três vezes o limiar de US$ 1,5 milhão que marcou topos locais anteriores neste ano. Essa taxa de realização sugere que compradores recentes estão travando ganhos em ritmo que o mercado historicamente tem dificuldade para absorver sem correção.
Dados de volume mostram divergência preocupante. Além disso, a Binance liderou as compras recentes através de seu delta de volume cumulativo (CVD), enquanto atividade na Coinbase permaneceu relativamente muda. Como a Coinbase é o principal local para atividade institucional americana no spot, uma recuperação impulsionada mais por varejo offshore deixa a demanda menos ancorada do que os números principais sugerem.
Fed define próximo movimento
Assim, a reunião do FOMC de 28-29 de abril emerge como primeiro teste real para verificar se a demanda institucional construída ao longo de quatro semanas consegue se sustentar. A CoinShares explicitamente vinculou a cautela atual dos investidores a essa janela de decisão. Com mercado apostando 99% em manutenção dos juros, qualquer surpresa pode catalisar movimentos bruscos.
ETFs spot de Bitcoin nos EUA registraram fluxos positivos por nove pregões consecutivos, superando US$ 2 bilhões, antes de virar negativo em 27 de abril. Dados da Farside Investors capturam a natureza ainda frágil da recuperação — três semanas de entradas bilionárias e uma reversão de um dia podem coexistir, descrevendo demanda direcional real mas vulnerável a catalisadores macro.
Além disso, o mercado de stablecoins adiciona camada de suporte potencial. A DefiLlama calcula capitalização total em aproximadamente US$ 320,7 bilhões, alta de 1,73% em 30 dias. Expansão da infraestrutura de entrada sugere capacidade crescente para implantação de capital em Bitcoin quando condições se alinharem.
Cenários pós-Fed
Caso otimista depende do Fed passar sem adicionar estresse macro novo. Fluxos semanais mantidos perto ou acima de US$ 1 bilhão, demanda de ETFs americanos reacelerando após oscilação de 27 de abril, e atividade spot na Coinbase fechando lacuna com exchanges offshore confirmariam mudança de regime. Bitcoin rompendo US$ 80.100 com absorção spot consistente transformaria a estrutura de “rali em teste” para regime de demanda confirmado.
Assim, o cenário base assume Fed amplamente neutro sem mudanças materiais nas condições financeiras. Fluxos permaneceriam positivos mas abaixo do ritmo recente de US$ 1 bilhão ou mais. Bitcoin manteria suporte acima de US$ 78.100 mas lutaria para romper decisivamente US$ 80.100. Instituições estariam reengajando, porém sem convicção suficiente para confirmar novo regime de demanda.
Risco negativo se materializa com Fed apertando condições na margem ou sinalizando trajetória de juros menos favorável. Sequência de fluxos bilionários quebraria, demanda de ETFs desvaneceria, e alerta de realização de lucro da Glassnode dominaria ação de preço. Falha em US$ 80.100 seguida de perda de US$ 78.100 requalificaria movimento recente como mais um rali de distribuição em vez de recuperação durável.
Três semanas consecutivas de bilhões da CoinShares, interesse em aberto maior na CME, acumulação contínua da Strategy, e base mais profunda de liquidez em stablecoin apontam para capital retornando ao Bitcoin com maior convicção. A decisão do Fed agora determina se essa recuperação multicanal consegue se sustentar ou se torna mais uma oportunidade de distribuição em topos locais.
