Analista vê armadilha de alta no Bitcoin e projeta queda a US$ 42 mil

  • Analista compara movimento atual do BTC ao bear market de 2022
  • Projeção aponta queda a US$ 50 mil, repique a US$ 63 mil e fundo em US$ 42 mil
  • ETFs spot de Bitcoin acumulam saída de US$ 423 milhões em dois dias

A retomada do Bitcoin acima dos US$ 80 mil pode não ser o início de um novo ciclo de alta, mas o desfecho de um padrão já visto antes. O alerta parte do analista conhecido como Chiefy, que descreve o movimento atual como a maior armadilha de alta do ciclo e projeta uma sequência de quedas até US$ 42 mil — recuo próximo de 50% em relação aos preços atuais.

O argumento se apoia em uma comparação técnica direta com o bear market de 2022. Naquele ciclo, o BTC não desabou em linha reta. Produziu repiques convincentes, suficientes para atrair compradores, antes de retomar a trajetória descendente. Para Chiefy, é exatamente esse roteiro que está se repetindo agora, com o ativo testando resistências que já falharam em janeiro de 2026.

O padrão técnico que preocupa

No gráfico semanal, o Bitcoin pressiona a média móvel de 200 períodos no diário, zona que rejeitou uma tentativa anterior de recuperação. Abaixo, dois suportes estruturais aparecem na leitura do analista: a média móvel de 200 períodos no semanal e a média de 350 períodos no mensal. Um rompimento dessas faixas, segundo ele, jogaria o preço por múltiplos níveis de tendência de longo prazo antes de encontrar piso.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A sequência projetada é específica. Após perder os US$ 82 mil, o BTC iria a US$ 50 mil — recuo de aproximadamente 39% em relação ao patamar atual. Em seguida, viria um repique até US$ 63 mil, suficiente para restaurar a confiança momentaneamente. O fechamento do padrão se daria com a queda final a US$ 42 mil, completando o desenho clássico de degraus descendentes do ciclo de baixa.

Chiefy publicou a análise em sua conta no X, sustentando que o movimento das últimas semanas reproduz com precisão o comportamento do BTC entre o final de 2021 e meados de 2022. No momento da escrita, o Bitcoin é negociado a US$ 80.367.

Demanda on-chain fraca e saídas em ETFs

O alerta técnico chega acompanhado de leituras on-chain pouco animadoras. Pesquisadores da CryptoQuant apontam que a métrica de demanda aparente do Bitcoin — que mede a variação em 30 dias da atividade estimada de compra spot — permaneceu negativa durante todo o rali de abril. Isso sugere que a alta até US$ 80 mil foi sustentada por demanda em futuros perpétuos, e não por compra à vista.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Esse é justamente o tipo de combustível que marcou o início da reversão de 2022: alavancagem nos derivativos enquanto o fluxo comprador real desaparecia. O cenário ganha peso adicional quando se observa o comportamento dos fundos negociados em bolsa. Os ETFs spot de Bitcoin registraram saída líquida acumulada de US$ 423,15 milhões nos últimos dois pregões, conforme apontado em outra rodada de resgates recentes.

Leitura para o investidor brasileiro

Para o investidor que opera na B3 ou em corretoras locais, a tese de Chiefy precisa ser lida em paralelo a outros sinais que vêm se acumulando. O RSI do Bitcoin oscilando em zonas de exaustão e a funding rate em território historicamente negativo formam um quadro de mercado tensionado, em que rompimentos podem ser violentos para qualquer dos lados.

Convertido pela cotação atual do dólar, um cenário de US$ 42 mil colocaria o BTC abaixo de R$ 230 mil — patamar que apagaria boa parte dos ganhos acumulados por investidores brasileiros nos últimos 18 meses. Vale lembrar que o BCB exige declaração mensal de operações cripto acima de R$ 30 mil via IN 1.888, e perdas realizadas em queda dessa magnitude geram impacto direto na apuração mensal de imposto sobre ganho de capital.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Nem toda projeção catastrófica se confirma. Bandas opostas do mercado, como Tom Lee, da Fundstrat, mantêm alvo de US$ 200 mil até dezembro. O ponto central da análise de Chiefy não é o número final, e sim o método: alavancagem dominando o spot é receita histórica de armadilha.

Compartilhe este artigo
Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
Sair da versão mobile