- ETFs de Bitcoin captam US$ 2,44 bilhões em abril
- Preço alcança máxima de 3 meses em US$ 81 mil
- Short squeeze liquida US$ 1,94 milhão de um único trader
O Bitcoin atingiu US$ 81 mil na segunda-feira (5), maior valor desde janeiro, impulsionado pelo retorno agressivo dos investidores institucionais ao mercado. O movimento marca uma recuperação expressiva após a criptomoeda ter chegado próxima dos US$ 62 mil no pior momento do primeiro trimestre.
Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin registraram entrada líquida de US$ 2,44 bilhões durante abril, o melhor resultado mensal desde outubro de 2025. O último pregão do mês consolidou a tendência com influxo de US$ 630 milhões em um único dia, revertendo três dias consecutivos de saídas.
Assim, a Fidelity liderou os aportes com US$ 19 milhões direcionados ao seu produto FBTC. Simultaneamente, o ETP de Bitcoin da BlackRock no mercado europeu ultrapassou US$ 1,1 bilhão sob gestão, acumulando 14.200 BTC até 4 de maio.
Institucionais compraram na queda
Os dados revelam que gestores profissionais aproveitaram a correção do primeiro trimestre para acumular posições. Enquanto investidores de varejo vendiam no pânico durante a queda de 23% entre janeiro e março, os fundos institucionais aumentavam sistematicamente suas alocações.
No Brasil, o movimento deve beneficiar detentores de Bitcoin através de ETFs locais que replicam o desempenho da criptomoeda. Além disso, com o real estável frente ao dólar nas últimas semanas, investidores brasileiros capturam integralmente a valorização.
A estrutura do mercado futuro amplificou o rali. As taxas de financiamento (funding rates) vinham negativas em -5% nos últimos 30 dias, indicando predominância de apostas na queda. Quando o preço rompeu resistências técnicas, essas posições vendidas precisaram ser recompradas às pressas.
Liquidação forçada acelera alta
Um trader específico fechou uma posição vendida de 700 BTC com perda de US$ 1,94 milhão, eliminando lucros de 11 operações anteriores bem-sucedidas. Múltiplas outras posições foram liquidadas automaticamente conforme o Bitcoin subia, transformando um movimento fundamentalista em squeeze técnico.
Além disso, o anúncio do Projeto Freedom pelo presidente Trump também contribuiu. A operação militar para escoltar navios comerciais neutros pelo Estreito de Ormuz, após proposta de paz de 14 pontos do Irã, reduziu tensões geopolíticas. Futuros de petróleo caíram quase 5% na sessão.
Durante o pregão, uma notícia falsa da agência iraniana Fars sobre mísseis atingindo navio americano derrubou brevemente o Bitcoin de US$ 80.594 para US$ 79 mil. O desmentido oficial permitiu recuperação imediata e extensão da alta.
Consenso 2026 reforça otimismo
Assim, a abertura do Consensus 2026 em Miami Beach adiciona combustível ao sentimento. O maior evento anual da indústria cripto reúne milhares de participantes pela primeira vez desde Austin no ano passado, criando ambiente propício para anúncios e parcerias.
Para investidores brasileiros, o cenário sugere continuidade da tendência altista iniciada em abril. A combinação de fluxo institucional sustentado com redução de riscos geopolíticos cria base sólida para o Bitcoin testar a região dos US$ 90 mil nas próximas semanas.
Além disso, o mercado local já reflete o otimismo. Exchanges brasileiras relatam aumento de 40% no volume negociado na primeira semana de maio comparado à média de abril. A correlação com ações de tecnologia asiáticas também favorece continuidade do movimento.
Assim, a sustentação acima de US$ 81 mil dependerá da manutenção dos fluxos positivos nos ETFs americanos. Dados preliminares de maio indicam continuidade das entradas, com BlackRock e Fidelity liderando captações. No cenário macro, a estabilidade no Oriente Médio permanece fator crítico para ativos de risco globalmente.
