Bitcoin perde os US$ 80 mil com pressão vendedora dos EUA

  • Bitcoin recua para US$ 79.340 após semana de tentativas frustradas acima de US$ 82.200
  • Liquidações somam US$ 91,5 milhões em 24 horas, com US$ 77,5 milhões em posições long
  • Coinbase Premium Gap permanece negativo e indica venda dominante nos EUA

O bitcoin rompeu para baixo o suporte psicológico dos US$ 80.000 nesta quarta-feira (13). A queda interrompe uma sequência de tentativas mal-sucedidas de romper a resistência em US$ 82.200 ao longo dos últimos sete dias. No horário desta publicação, o ativo era negociado a aproximadamente US$ 79.340, acumulando recuo próximo de 3% na semana.

Só na sessão desta quarta, cada unidade do bitcoin perdeu mais de US$ 2.176, levando o preço à mínima de sete dias. A volatilidade abrupta cobrou pedágio dos traders alavancados.

Dados da CoinGlass mostram que US$ 91,5 milhões em posições foram liquidadas nas últimas 24 horas. Desse total, US$ 77,5 milhões vieram de apostas compradas — sinal de que o movimento pegou de surpresa quem operava com expectativa de alta.

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Investidores americanos puxam a venda

Além disso, o gatilho da correção tem endereço definido: os Estados Unidos. O Coinbase Premium Gap, indicador que mede a diferença entre o preço do BTC na Coinbase e na Binance, permaneceu negativo ao longo das últimas 24 horas, conforme métricas da CryptoQuant.

Quando esse spread fica abaixo de zero, a leitura é direta. Investidores americanos não estão dispostos a pagar o preço global do bitcoin, o que costuma indicar pressão vendedora concentrada em mãos institucionais e de varejo nos EUA. O comportamento contrasta com o rali recente acima de US$ 82.200, sustentado majoritariamente por traders alavancados em outras praças — uma base frágil que ruiu rapidamente.

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Parte da cautela tem origem regulatória. O mercado americano aguarda a sessão de markup do Clarity Act nesta quinta-feira, projeto de lei federal que pretende estabelecer regras claras para a classificação de criptoativos nos Estados Unidos. A indefinição sobre o texto final faz investidores reduzirem exposição antes do desfecho legislativo.

Realização de lucros e o papel dos ETFs

Assim, outro fator pesa no curto prazo. Análises da CEX.io apontam que cerca de 71% dos holders de curto prazo estão no lucro — o maior patamar desde outubro de 2025. Historicamente, leituras nessa faixa antecedem ondas de realização, já que quem comprou recentemente tende a travar ganhos diante de qualquer sinal de fraqueza.

Além disso, os ETFs spot adicionam combustível ao movimento. O iShares Bitcoin Trust (IBIT) e o iShares Ethereum Trust (ETHA), ambos da BlackRock, lideraram resgates após o alívio recente nos preços, segundo levantamentos de mercado. Assim, a dinâmica reforça que o fluxo institucional americano, antes apontado como tração estrutural do ciclo, mostra-se sensível a janelas de lucro.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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