Bitcoin rompe US$ 80 mil puxado por ações de IA na Ásia

  • Bitcoin voltou aos US$ 80 mil com alta de chips asiáticos
  • SK Hynix subiu 13% e Samsung 5,4% no mesmo pregão
  • ETFs captaram US$ 629,8 milhões após 3 dias de saídas

O Bitcoin recuperou a marca de US$ 80 mil neste domingo (4) durante o pregão asiático, movimento que coincidiu com recordes nas bolsas da Coreia do Sul e Taiwan. As ações de semicondutores lideraram os ganhos, com a SK Hynix disparando 13% e a Samsung avançando 5,4%.

A correlação expõe um novo padrão de comportamento do Bitcoin. O ativo digital reagiu ao mesmo apetite por risco que move ações de inteligência artificial, fenômeno amplificado pelos ETFs de Bitcoin negociados em bolsa. Investidores brasileiros que acompanham apenas o mercado cripto podem estar perdendo sinais importantes vindos do setor de tecnologia asiático.

O índice Kospi fechou em máxima histórica acima de 6.900 pontos. A TSMC subiu 6,6% e o índice taiwanês Taiex avançou 4,6%. Todos esses movimentos ocorreram antes mesmo do Bitcoin cruzar a barreira psicológica dos US$ 80 mil, sugerindo que o impulso veio de fora do mercado de criptomoedas.

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ETFs captam US$ 629 milhões após sangria

Os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos registraram entrada líquida de US$ 629,8 milhões em 1º de maio. O IBIT da BlackRock liderou com US$ 284,4 milhões, seguido pelo FBTC da Fidelity com US$ 213,4 milhões.

Os números marcam uma reversão importante. Entre 27 e 29 de abril, os fundos perderam US$ 489 milhões em saídas líquidas. No dia 30, a entrada foi de apenas US$ 23 milhões, sinalizando hesitação antes da retomada mais forte.

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O complexo de ETFs já controla aproximadamente 1,317 milhão de BTC, equivalentes a US$ 104,1 bilhões. Somente o IBIT detém cerca de 810.327 BTC, com patrimônio líquido de US$ 63,53 bilhões e volume diário médio de 46,15 milhões de ações negociadas.

Correlação com tecnologia muda dinâmica

A movimentação sincronizada entre Bitcoin e ações de semicondutores representa uma mudança estrutural para investidores. Carteiras que incluem BTC através de ETFs agora respondem aos mesmos gatilhos que movem o Nasdaq e empresas de chips.

Os resultados corporativos reforçam a narrativa. A TSMC reportou receita trimestral de NT$ 1,134 trilhão com lucro líquido crescendo 58,3% ano contra ano. A SK Hynix citou desempenho recorde impulsionado por demanda de IA. A Samsung destacou vendas de memória sustentadas por produtos de alto valor agregado para inteligência artificial.

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Para o investidor brasileiro, isso cria um dilema. Uma posição em Bitcoin através de ETFs pode parecer diversificação, mas na prática está reagindo aos mesmos fatores que movem ações de tecnologia. A correlação ficou ainda mais evidente quando o Bitcoin manteve a alta mesmo com o índice do dólar subindo e os rendimentos dos Treasuries avançando na abertura do mercado americano.

Próximos níveis técnicos em foco

Analistas monitoram agora a sustentação acima dos US$ 80 mil. A média móvel de 200 dias está próxima de US$ 82 mil, enquanto referências de custo-base dos ETFs apontam para US$ 83 mil como próxima resistência relevante.

O comportamento dos ETFs nos próximos pregões será crucial. Se as entradas de 1º de maio representam apenas um repique isolado, a pressão vendedora pode retornar rapidamente. Por outro lado, participação mais ampla dos emissores sinalizaria apetite institucional renovado.

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A MicroStrategy, que detém 818.334 BTC conforme último balanço de 26 de abril, também serve como termômetro. A empresa funciona como proxy de Bitcoin no mercado acionário tradicional, amplificando tanto altas quanto baixas do ativo digital.

Assim, o cenário atual difere dos ciclos anteriores do Bitcoin. Antes, o ativo respondia principalmente a fatores internos como halving, liquidez em exchanges ou movimentos regulatórios. Agora, com ETFs detendo mais de 1,3 milhão de BTC, o mercado tradicional ganhou influência direta sobre os preços.

Os investidores precisam acompanhar não apenas métricas on-chain e fluxos de exchanges, mas também resultados de empresas de semicondutores na Ásia, apetite por risco no Nasdaq e rotação de fundos no mercado americano. A complexidade aumentou, mas também as oportunidades para quem souber ler os sinais cruzados entre mercados.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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