- Buterin critica incentivos vazios na blockchain e afirma que muitos projetos ainda atraem usuários apenas para inflar métricas, sem entregar utilidade real.
- Criador do Ethereum defende foco total em produtos úteis, capazes de reter usuários organicamente e construir comunidades de qualidade.
- Setor precisa abandonar práticas da era especulativa, quando narrativas artificiais sustentavam bolhas e desviavam atenção do desenvolvimento verdadeiro.
O criador do Ethereum, Vitalik Buterin, voltou a criticar excessos da indústria cripto e defendeu que o setor precisa concentrar esforços em aplicações realmente úteis. Ele publicou uma longa análise em seu perfil, na qual comenta práticas comuns de incentivos e a maneira como projetos tentam atrair usuários. O texto ganhou força rapidamente, pois toca em questões que acompanham o mercado desde a explosão especulativa dos últimos anos.
Buterin explicou que sua primeira reação ao tema surgiu após receber um pagamento em tokens de um projeto que seu pai passou a usar no dia a dia. Esse exemplo concreto mostrou a ele que alguns mecanismos de incentivo fazem sentido quando o aplicativo já entrega utilidade real. Porém, logo depois veio outra reflexão: certas práticas podem parecer coerentes apenas dentro do universo cripto e totalmente desconectadas para quem está fora.
Ele afirmou que existem muitas maneiras de “incentivar usuários”, mas destacou que o setor precisa distinguir com clareza o que gera valor e o que apenas cria ilusão. Para ele, pagar usuários para inflar métricas, especialmente quando o produto ainda é frágil, não constrói base sólida e nem atrai pessoas que permaneceriam de forma orgânica.
Incentivos corretos e incentivos que distorcem o ecossistema
Buterin reconheceu que alguns incentivos são legítimos. Segundo ele, compensar custos temporários que surgem devido à imaturidade de um protocolo pode fazer sentido. Projetos novos carregam riscos maiores, como falhas técnicas ou possibilidade de golpes. Nesse cenário, recompensar quem assume esses riscos aparece como algo justo e até necessário.
Por outro lado, ele criticou mecanismos que tentam atrair usuários que jamais utilizariam o produto em condições normais. Esse tipo de incentivo, segundo ele, aumenta apenas o volume, mas reduz a qualidade da comunidade, um fator essencial para qualquer protocolo sobreviver no longo prazo. Em áreas como redes sociais descentralizadas, a qualidade pesa ainda mais, pois influencia diretamente o conteúdo, a cultura e a saúde do ecossistema.
Ele citou como exemplo negativo o pagamento por publicações que buscam atenção. Para Buterin, esse modelo cria incentivos para comportamentos preguiçosos, repetitivos e oportunistas. E, assim, os usuários deixam o sistema tão rápido quanto chegam, sem contribuição significativa. Mesmo quando permanecem, contribuem pouco para o crescimento real do projeto.
O futuro da blockchain exige utilidade, não narrativas
O fundador do Ethereum foi direto ao dizer que muitos incentivos usados entre 2021 e 2024 serviram mais para alimentar bolhas especulativas do que para desenvolver soluções de verdade. Nessa fase, narrativas eram construídas para sustentar valores artificiais, enquanto a utilidade ficava em segundo plano.
Ele afirmou que a nova etapa do setor exige foco total na construção de aplicativos sólidos, capazes de atrair usuários por funcionalidade, não por recompensas distribuídas de forma indiscriminada. Os projetos que hoje ganham respeito, segundo ele, são justamente aqueles que cresceram assim: entregando valor real e resolvendo problemas concretos.
Buterin concluiu que o caminho mais sustentável envolve criar produtos que as pessoas usariam mesmo sem incentivos. Para ele, a blockchain deve priorizar soluções reais, e não acessórios que apenas ampliam ruído. O setor, segundo ele, tem maturidade suficiente para deixar velhos hábitos para trás e avançar para uma fase mais responsável e útil.
