- Acionistas processam executivos da Coinbase por supostas declarações enganosas entre 2021 e 2023.
- Processo cita risco de falência sobre ativos de clientes e falhas em políticas de AML.
- Caso também questiona listagem de tokens que poderiam ser considerados valores mobiliários.
A exchange de criptomoedas Coinbase enfrenta um processo derivativo nos Estados Unidos.
Além disso, acionistas acusam executivos de divulgar informações enganosas sobre custódia de ativos, compliance regulatório e combate à lavagem de dinheiro entre abril de 2021 e junho de 2023.
Riscos na custódia de ativos: clientes podem se tornar credores comuns
O acionista Kevin Meehan protocolou a ação em 3 de março de 2026 no Tribunal Distrital dos EUA em Nova Jersey, representando a Coinbase como parte autora.
Entre os réus estão o CEO Brian Armstrong, o cofundador Fred Ehrsam, o CLO Paul Grewal e a presidente Emilie Choi.
Segundo a ação, a Coinbase comunicou que os ativos de clientes eram mantidos “em custódia para benefício do usuário”.
Entretanto, a empresa não alertou que esses fundos poderiam se tornar propriedade da companhia em caso de falência. Dessa forma, clientes poderiam se tornar credores comuns.
A ação também aponta que a Coinbase misturava ativos de clientes de varejo, enquanto segregava os de clientes institucionais. Para os autores, isso cria um descompasso entre marketing e risco real. Ao mesmo tempo, a prática poderia gerar consequências jurídicas significativas.
Listagem de tokens e falhas em AML
O processo questiona a inclusão de tokens com potencial de serem considerados valores mobiliários.
Além disso, a ação cita a U.S. Securities and Exchange Commission, que acusou a Coinbase de listar Solana e Cardano. Embora o caso tenha sido arquivado em 2025, os acionistas alegam que investidores foram induzidos a erro.
Em janeiro de 2023, a Coinbase fechou acordo com a New York State Department of Financial Services. A empresa pagou US$ 50 milhões de multa e, ao mesmo tempo, comprometeu-se a investir outros US$ 50 milhões para reforçar o compliance.
O regulador apontou falhas no monitoramento de transações, KYC e relatórios de atividades suspeitas.
Venda de ações e consequências
O processo ainda questiona vendas de ações de executivos quando possuíam informações não públicas. Por isso, acionistas pedem ressarcimento por danos financeiros, custos regulatórios e prejuízos reputacionais.
Também solicitam reformas de governança e devolução de parte da remuneração executiva.
Bill Hughes, conselheiro sênior da Consensys, comentou:
“O conselho da Coinbase agora precisa se defender de alegações de divulgações enganosas, violação de dever fiduciário e exposição a riscos regulatórios significativos”.
Nesse contexto, o caso evidencia a pressão crescente sobre exchanges de criptomoedas e reforça a importância de transparência em custódia, governança e compliance.
