- Multas podem chegar a 10% das perdas em ataques
- Reguladores pressionam exchanges por padrões de segurança mais rígidos
- Incidentes recorrentes revelam fragilidade das principais corretoras sul-coreanas
Os reguladores financeiros da Coreia do Sul avançam com uma proposta que pode mudar por completo a responsabilidade das corretoras de criptomoedas em caso de ataques cibernéticos. A ideia prevê que empresas vítimas de violações paguem multas de até 10% do valor perdido, caso o projeto de lei seja aprovado. A medida surge em um momento de crescente pressão por regras mais rígidas no setor.
A Comissão de Serviços Financeiros elaborou o texto após sucessivas falhas de segurança em empresas relevantes do mercado digital. O órgão afirma que as normas atuais são brandas e não conseguem incentivar melhores práticas de proteção. Assim, a proposta tenta elevar o padrão de segurança e alinhar as exchanges às exigências aplicadas às instituições financeiras tradicionais.
Reguladores querem punições mais duras
A discussão ganhou força após o ataque à Upbit, no qual hackers roubaram US$ 36 milhões no final de novembro do ano passado. Se a nova regra estivesse em vigor, a corretora teria pagado até US$ 3,6 milhões em multas, bem acima do limite atual de US$ 456 mil. O salto de cobrança revela o esforço do governo para impor responsabilidade proporcional ao impacto das falhas.
Especialistas reforçam a necessidade dessa mudança. A consultora Gina Kim afirma que, apesar dos avanços recentes, os sistemas das exchanges continuam abaixo do nível ideal. Ela destaca que vulnerabilidades continuam surgindo e que a pressão regulatória pode acelerar a adoção de protocolos mais robustos.
A própria FSC concorda com essa leitura. Em comunicado, o órgão deixou claro que o setor precisa seguir padrões comparáveis aos bancos tradicionais, evitando brechas que coloquem em risco o patrimônio dos clientes. Contudo, outra proposta do governo pode gerar conflito regulatório, pois sugere multas equivalentes a 3% da receita anual das corretoras.
Multas podem superar valores propostos pela FSC
Essa alternativa se tornou pública poucos dias após o ataque à Upbit. Segundo cálculos da Yonhap, a empresa poderia pagar US$ 36 milhões, caso a regra de 3% fosse aplicada, o valor seria dez vezes maior que o previsto no texto atual da FSC. Além disso, o cenário mostra que o debate ainda está aberto, com diferentes correntes tentando definir o peso das sanções.
Os dados oficiais revelam a dimensão do problema. Entre janeiro de 2023 e setembro de 2025, ocorreram 20 incidentes envolvendo fundos de clientes nas cinco maiores exchanges sul-coreanas. Além disso, a Upbit registrou seis deles, afetando 616 usuários e causando perdas de US$ 2,2 milhões. Já a Bithumb sofreu quatro incidentes, que atingiram 326 clientes e somaram mais de US$ 610 mil em prejuízos.
Enquanto isso, as empresas mencionadas evitam comentar os planos dos reguladores. Upbit e Bithumb não responderam às solicitações da imprensa, indicando que o setor ainda avalia os impactos das mudanças propostas.
Com a pressão crescente e o aumento dos ataques, o governo sul-coreano tenta equilibrar punições e incentivos para fortalecer a segurança digital. A decisão final pode redefinir o comportamento das corretoras e, sobretudo, a proteção dos investidores em um mercado cada vez mais vulnerável.
