- Mineradores enfrentam prejuízo com hash em queda
- Custos altos pressionam operações e forçam saídas
- Apenas eficientes mantêm lucro na mineração
A crise na mineração de Bitcoin ganhou força nos últimos meses e já pressiona diretamente os lucros das empresas do setor. Atualmente, os preços do hash oscilam entre US$ 28 e US$ 30 por PH/dia, um nível considerado baixo.
Além disso, esse cenário já coloca cerca de 15% a 20% da capacidade global de mineração operando no prejuízo. Ou seja, uma parcela relevante da rede enfrenta dificuldades financeiras crescentes.
Essa pressão não surgiu de forma repentina. No quarto trimestre de 2025, o Bitcoin caiu quase 31%, saindo de US$ 126.000 para cerca de US$ 86.000 em dezembro.
Enquanto isso, a taxa de hash permaneceu elevada, o que agravou ainda mais a situação. Como resultado, os preços do hash atingiram mínimas desde o último halving.
Custos sobem e margem encolhe
Ao mesmo tempo, os custos operacionais aumentaram de forma significativa. O custo médio para minerar um Bitcoin chegou a cerca de US$ 79.995 no quarto trimestre de 2025.
Além disso, muitos mineradores dependem de energia barata para sobreviver. Em vários casos, apenas operações com eletricidade próxima de US$ 0,05 por kWh conseguem evitar prejuízos.
Por outro lado, equipamentos mais antigos, especialmente anteriores ao S19 XP, enfrentam dificuldades ainda maiores. Isso ocorre porque esses modelos possuem menor eficiência energética.
Segundo estimativas da CoinShares, entre um sexto e um quinto da rede já opera abaixo do ponto de equilíbrio. Esse desequilíbrio tende a eliminar os participantes menos eficientes.
Além disso, a combinação de custos elevados, maior dificuldade da rede e investimentos em infraestrutura de computação pressiona ainda mais o caixa das empresas.
Curiosamente, a rede registrou três ajustes negativos consecutivos de dificuldade no fim de 2025. Esse movimento não ocorria desde meados de 2022.
Em geral, esse tipo de ajuste indica capitulação de mineradores, ou seja, operadores menos eficientes começam a desligar suas máquinas.
Rede resiste, mas cenário exige adaptação
Apesar da pressão, a rede não entrou em colapso. A taxa de hash atingiu um pico de 1.160 EH/s em outubro de 2025.
No entanto, esse número caiu cerca de 10% no início de 2026, refletindo o desligamento de operações menos lucrativas.
Ainda assim, em março de 2026, a rede se estabilizou próxima de 1.020 EH/s, indicando que os mineradores mais eficientes continuam ativos.
Esses operadores contam com vantagens importantes, como acesso a energia barata e uso de ASICs mais modernos.
Enquanto isso, empresas listadas começaram a vender parte de suas reservas. Companhias como Core Scientific, Bitdeer e Riot reduziram suas posições em Bitcoin.
Esse movimento mostra que até grandes players enfrentam margens mais apertadas no cenário atual.
Diante disso, muitos mineradores já buscam alternativas. Há uma migração crescente para inteligência artificial e computação de alto desempenho, que oferecem receitas mais previsíveis.
No entanto, a recuperação do setor depende diretamente do preço do Bitcoin. Hoje, apenas operações mais eficientes conseguem lucrar com hash entre US$ 28 e US$ 30 por PH/dia.
Caso o BTC volte a se manter acima de US$ 70.000, a pressão pode diminuir. Porém, se os preços continuarem baixos, mais mineradores podem sair do mercado.
Assim, o setor vive um momento de ajuste. A mineração de Bitcoin segue ativa, mas enfrenta um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos.
