- Validadores de Ethereum e Solana usam criptografia vulnerável a computadores quânticos
- 6,9 milhões de Bitcoin estão em carteiras com chaves públicas expostas
- Vitalik Buterin já propôs mudanças para proteger Ethereum contra ameaça
Blockchains que operam com proof-of-stake como Ethereum e Solana podem ter vulnerabilidades extras quando computadores quânticos se tornarem poderosos o suficiente para quebrar a criptografia atual. O alerta vem de um relatório divulgado pelo Comitê Consultivo Independente sobre Computação Quântica e Blockchain da Coinbase.
O documento, lançado na terça-feira, examina como os avanços na computação quântica podem afetar a segurança dos ativos digitais no longo prazo. “O momento certo para se preparar para uma transição criptográfica é antes que ela se torne urgente”, disse um porta-voz do Comitê Consultivo da Coinbase.
Validadores viram ponto fraco
Diferente do Bitcoin, que usa mineração, redes proof-of-stake dependem de assinaturas criptográficas para manter o consenso. Ethereum usa assinaturas BLS para seus validadores. Solana trabalha com assinaturas Ed25519 tanto para validadores quanto para usuários.
Essas assinaturas ajudam a rede a concordar sobre quais blocos são válidos. O problema: um computador quântico suficientemente avançado poderia quebrar essa criptografia. “O desafio para proof-of-stake não é apenas atualizar carteiras; partes do próprio mecanismo de consenso podem precisar ser redesenhadas”, afirmou o comitê.
Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, já se movimenta. Em fevereiro, ele propôs substituir as assinaturas BLS dos validadores, os compromissos KZG e as assinaturas ECDSA das carteiras por alternativas resistentes a quantum.
Carteiras antigas acumulam exposição
Outro ponto crítico identificado pelo relatório são as assinaturas digitais usadas pelas carteiras de criptomoedas. Se quebradas, atacantes poderiam se passar por donos de carteiras e movimentar fundos. Carteiras com chaves públicas visíveis on-chain são as mais expostas.
O relatório estima que aproximadamente 6,9 milhões de Bitcoin se enquadram nessa categoria de risco elevado. São moedas em endereços antigos que expõem suas chaves públicas na blockchain.
Adam Back, CEO da Blockstream, defende ação preventiva: “A coisa prudente a fazer é preparar o Bitcoin e dar às pessoas a opção de migrar suas chaves para um formato resistente a quantum. Quanto mais tempo os usuários de Bitcoin tiverem para migrar suas chaves, mais seguro será.”
Mas há um problema prático. O relatório questiona como as redes devem lidar com carteiras que nunca fazem upgrade. Chaves perdidas, contas inativas e carteiras abandonadas significam que alguns ativos permanecerão expostos se ataques quânticos se tornarem possíveis.
Bitcoin mantém vantagem estrutural
Enquanto isso, o Bitcoin apresenta menor vulnerabilidade em sua infraestrutura central. Seu processo de mineração, funções hash e registro histórico não são considerados significativamente vulneráveis com o entendimento atual.
“Um computador quântico executando o algoritmo de Grover poderia, em teoria, resolver o desafio de proof-of-work mais rápido que um computador clássico”, explicou o comitê consultivo. Mas na escala atual dos quebra-cabeças de proof-of-work, a sobrecarga necessária para executar o algoritmo de Grover em um computador quântico supera sua vantagem teórica.
O Comitê Consultivo Independente da Coinbase sobre Computação Quântica e Blockchain foi lançado em janeiro. Reúne especialistas acadêmicos e da indústria, incluindo pesquisadores da Stanford University, University of Texas at Austin, Ethereum Foundation, Eigen Labs, Bar-Ilan University e University of California, Santa Barbara.
Os especialistas alertam que migrar blockchains para criptografia resistente a quantum apresenta desafios técnicos. Assinaturas seguras contra quantum são significativamente maiores que as atuais, o que pode afetar velocidade de transação, armazenamento e custos.
“Um computador criptograficamente relevante para quantum ainda exigiria um grande salto dos sistemas atuais, mas atualizar carteiras, exchanges, custodiantes e redes descentralizadas é um esforço de vários anos”, concluiu o comitê. A publicação agora busca fundamentar a conversa em ciência em vez de hype e ajudar a indústria a tomar decisões práticas de migração antecipadamente.
