- Condenação da SafeMoon expõe fraude milionária e abala investidores
- Justiça reforça punição dura para crimes no mercado cripto
- Escândalo revela impacto das fraudes durante o ciclo de 2021
A Justiça dos Estados Unidos condenou Braden Karony, ex-CEO da SafeMoon, a 100 meses de prisão após comprovar que ele desviou US$ 9 milhões do fundo de liquidez da empresa em 2021. A condenação encerra um dos escândalos mais marcantes do último ciclo de alta das criptomoedas, quando muitos investidores de varejo apostavam tudo em promessas de retorno rápido.
Karony usou o dinheiro para bancar um estilo de vida luxuoso, revelaram os promotores. Entre as compras verificadas, estão uma casa de US$ 2,2 milhões em Utah, além de um Audi R8, um Tesla, uma Ford F-550 personalizada e duas caminhonetes Jeep Gladiator. Além disso, o caso chamou atenção pelo contraste entre as promessas de descentralização e transparência e o comportamento do executivo.
O FBI detalha a fraude e reforça gravidade do caso
As autoridades afirmaram que Karony abusou da posição de CEO para enganar investidores e manipular a confiança do público. O diretor-assistente do FBI, James C. Barnacle Jr., afirmou que o ex-executivo “traiu a confiança de seus investidores ao roubar mais de nove milhões de dólares em ativos digitais“.
A sentença saiu nove meses depois da condenação pelo júri federal, que reconheceu crimes de fraude de valores mobiliários, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. O departamento de justiça confirmou ainda que Karony deverá pagar uma multa de US$ 7,5 milhões, enquanto o valor destinado às vítimas será definido futuramente.
Além disso, o procurador Joseph Nocella Jr. reforçou que “crimes financeiros têm consequências significativas” e que o governo continuará perseguindo casos que afetem a integridade dos mercados digitais. Para o órgão, o episódio exemplifica como a expansão rápida das criptomoedas durante o ciclo de 2021-2022 abriu espaço para práticas fraudulentas.
Outros executivos da Safemoon enfrentam justiça
O ex-diretor de tecnologia da SafeMoon, Thomas Smith, já havia se declarado culpado em fevereiro de 2025 e agora aguarda sua própria sentença. Além disso, ele admitiu participação em esquemas de fraude eletrônica e manipulação de valores mobiliários.
Já o criador da SafeMoon, Kyle Nagy, permanece foragido, segundo informações do Departamento de Justiça. A ausência reforça a dimensão e a complexidade da operação que abalou milhares de investidores.
O caso de Karony soma-se a uma lista crescente de condenações envolvendo figuras importantes do mercado cripto. Entre os nomes mais conhecidos estão Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX, que cumpre 25 anos de prisão, e Alex Mashinsky, ex-CEO da Celsius, condenado a 12 anos.
O clima político também pesa. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em janeiro que não pretende perdoar Bankman-Fried, apesar de ter concedido perdão ao ex-CEO da Binance, Changpeng “CZ” Zhao, meses antes.
Ainda mais, o Bankman-Fried ainda tenta reverter o caso e pediu um novo julgamento a um painel federal de apelações.
