- Bitcoin registra NUPL de 0,21 e entra em zona de cautela segundo Fidelity
- Queda de 25% no ano leva BTC a operar entre US$ 62.500 e US$ 76.022
- Liquidações de US$ 4,69 bilhões em janeiro aceleram correção do mercado
A Fidelity Digital Assets acende o sinal amarelo para investidores de Bitcoin. O relatório do primeiro trimestre de 2026 mostra que o indicador NUPL (Net Unrealized Profit/Loss) da principal criptomoeda está em 0,21, colocando o mercado na zona “Esperança-Medo”. Na prática, isso significa que os detentores de BTC estão com lucros mínimos não realizados.
O cenário preocupa. Bitcoin acumula queda de 25% no ano, negociado atualmente na faixa entre US$ 62.500 e US$ 76.022. A performance negativa se estende ao Ethereum (-31%) e Solana (-38%) no mesmo período. Assim, os dados revelam um mercado em fase de reparo, não de expansão.
Dois eventos de liquidação massiva em janeiro catalisaram a correção. No dia 30, o mercado cripto absorveu US$ 2,56 bilhões em vendas forçadas. Em 4 de fevereiro, outros US$ 2,13 bilhões foram liquidados. Total: quase US$ 5 bilhões varridos em menos de uma semana.
Indicadores técnicos confirmam fragilidade
O sinal de momentum do Bitcoin virou negativo em 18 de outubro de 2025, quando a moeda ainda era negociada próxima a US$ 107.000. Desde então, BTC despencou aproximadamente 36%. A métrica Yardstick, que compara capitalização de mercado com hashrate, entrou em território “subvalorizado” no mesmo outubro.
A Fidelity observa que em mercados de baixa anteriores, condições similares duraram 298 dias em 2018 e 299 dias em 2022. Se o padrão se repetir, outubro de 2026 seria o ponto de referência para uma possível reversão. Ainda faltariam cerca de seis meses de consolidação.
O hashrate do Bitcoin caiu abaixo de 1 zettahash por segundo, marco superado pela primeira vez em setembro de 2025. Dois eventos de frio extremo nos EUA forçaram mineradoras a reduzir operações. A Fidelity descarta a narrativa de migração para inteligência artificial — hardware de mineração é específico e não pode ser reaproveitado.
Contexto macro pressiona criptoativos
Assim, a incerteza sobre a nomeação de Kevin Warsh como presidente do Fed adiciona pressão. Mercados já precificam zero cortes de juros em 2026, cenário desfavorável para ativos de risco. A dominância do Bitcoin continua subindo no segundo trimestre, sinal de que capital permanece concentrado na criptomoeda principal sem rotação para altcoins.
Historicamente, níveis de NUPL similares aos atuais precederam retornos medianos de 63% em um ano. Mas a Fidelity alerta: o indicador sozinho não confirma que o fundo foi atingido. O relatório descreve as condições atuais como “fase de reparo”, não ambiente de lucros expandidos típico de fim de ciclo.
Para Ethereum, o NUPL despencou 171% no trimestre, saindo de 0,17 para -0,12. Paradoxalmente, métricas on-chain mostram crescimento: transações subiram 34% e endereços ativos cresceram o mesmo percentual, superando picos de 2021. Volume de transferências de stablecoins na rede Ethereum atingiu recorde histórico acima de US$ 18 trilhões.
Solana mostra resiliência apesar das perdas
Solana apresenta o pior NUPL entre as três principais redes, em -0,67. Ainda assim, dados on-chain surpreendem positivamente. Endereços ativos mensais cresceram 50% e novos endereços subiram 35% durante o primeiro trimestre de 2026. Ambas as métricas alcançaram máximas desde 2021.
Assim, volume de transferências de stablecoins em Solana manteve-se estável apesar da queda de preços. A média móvel de 30 dias subiu 8% para US$ 7,2 bilhões. As taxas de rede, que explodiram durante a febre de memecoins entre 2024 e início de 2025, seguem em tendência de baixa.
Além disso, a Fidelity conclui que qualquer expansão sustentada dependerá de três fatores: desescalada geopolítica, clareza regulatória e definição da política monetária do Fed. Enquanto essas peças não se encaixam, Bitcoin e o mercado cripto navegam em águas turbulentas com margem estreita entre lucro e prejuízo.
