Governo do Brasil vai minerar Bitcoin? Ceará toma decisão inédita no país

Último ajuste de 2025 indica alta na mineração de Bitcoin em janeiro
  • Ceará inicia mineração estatal de Bitcoin pela ETICE.
  • Projeto integra IA, data centers e economia digital.
  • Estado busca novos contratos e autonomia financeira.

O governo do Ceará decidiu avançar sobre um território pouco explorado por administrações estaduais no Brasil. Assim, vai iniciar operações de mineração de Bitcoin por meio da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (ETICE). A medida integra o planejamento estratégico para 2026. Esta decisão marca uma mudança significativa no papel da estatal, que agora busca diversificar suas fontes de receita dentro da economia digital.

A ETICE, controlada integralmente pelo governo cearense, opera como sociedade anônima. Ela já participa de projetos relevantes no setor de telecomunicações. No entanto, a empresa pretende ir além. Está ampliando sua atuação para mineração de criptomoedas, processamento de dados para sistemas de inteligência artificial e expansão de data centers. Essas três frentes foram colocadas no centro das prioridades da nova gestão.

O presidente da estatal, Hugo Figueirêdo, explicou que o movimento acompanha tendências globais. Ele se apoia na alta demanda por infraestrutura de processamento. Ele afirmou que a estrutura necessária para minerar Bitcoin é muito semelhante à usada para treinar modelos de IA. Ambas dependem de grande capacidade de sequenciamento e análise de dados. Assim, a mineração aparece não como um setor isolado, mas como parte de um ecossistema tecnológico mais amplo.

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Mineração de Bitcoin

Para viabilizar essa estratégia, a ETICE pretende usar seu principal ativo: o Cinturão Digital, uma rede de fibra óptica com mais de 6 mil quilômetros. Essa infraestrutura coloca o Ceará em posição vantajosa diante de empresas privadas que buscam reduzir latência e garantir estabilidade em operações intensivas de dados. Por isso, a estatal avalia contratos na casa de milhões de reais com empresas de diferentes segmentos.

A empresa já presta serviços tecnológicos a órgãos como o Tribunal de Justiça e o Ministério Público. Além disso, opera soluções de reconhecimento facial na Arena Castelão e fornece armazenamento em nuvem para o governo do Maranhão. Mesmo assim, a estatal terminou 2025 com um déficit de cerca de R$ 10 milhões. Isso exigiu um aporte emergencial de R$ 50 milhões do governo estadual.

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Por causa desse cenário, a administração entende que a diversificação é essencial. O objetivo é tornar a empresa superavitária a partir de 2026. A meta é captar negócios privados, reduzir a dependência do Tesouro estadual e abrir caminho para distribuição futura de dividendos.

Além disso, o estado tenta atrair toda a cadeia produtiva de mineração e IA ao oferecer infraestrutura de baixa latência, energia competitiva e posição geográfica estratégica para operação de data centers. A estatal já possui acordos internacionais, incluindo um financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento que prevê aportes de R$ 30 milhões até 2027.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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