Governo Lula fecha contrato milionário para rastrear Bitcoin e criptomoedas em 2026

Governo Lula fecha contrato milionário para rastrear Bitcoin e criptomoedas em 2026
Contrato de Lula com criptomoedas
  • Monitoramento cripto avança, mas especialistas alertam para riscos jurídicos
  • Governo amplia rastreamento e levanta debate sobre privacidade financeira
  • Licenças caras reforçam investigações, porém aumentam preocupação com abusos

O Governo Lula abriu uma nova etapa no monitoramento do mercado digital ao oficializar, nesta segunda-feira (29), um contrato milionário para rastrear Bitcoin e outras criptomoedas no país. A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, reforça a estratégia de ampliar a vigilância sobre operações financeiras digitais.

O acordo entrou em vigor imediatamente e seguirá válido até 29 de dezembro de 2026, marcando um avanço no controle tecnológico do setor. Com isso, o governo intensifica o acompanhamento das transações em blockchain e fortalece instrumentos de investigação.

Contrato amplia alcance das investigações

O MJSP confirmou a contratação de 10 licenças de software especializadas em rastreamento de criptoativos, com foco em localização, análise e monitoramento de transações em blockchain. O contrato, avaliado em US$ 1,7 milhão, determina que as ferramentas incluam suporte técnico, atualizações e treinamento prático para servidores ao longo de 36 meses.

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Cada licença custará US$ 170 mil, valor definido em um leilão público que reduziu drasticamente o teto inicial de US$ 47 milhões para um conjunto final máximo de US$ 8 milhões. A empresa vencedora ofereceu o menor lance unitário e agora prepara a entrega das licenças e o treinamento das equipes responsáveis.

As ferramentas serão operadas em conjunto pelo MJSP e pela Polícia Federal, que deverá utilizar os sistemas em investigações envolvendo crimes financeiros, lavagem de dinheiro e movimentações suspeitas no ambiente digital. A solução não se limitará ao Bitcoin, pois ampliará o rastreio para redes como Ethereum, Tron, Dash, XRP e diversas altcoins, reforçando a capacidade de acompanhamento do ecossistema cripto.

Contrato assinado entre Governo Lula e empresa para rastreio de bitcoin e criptomoedas (Reprodução).

Especialistas alertam para riscos do rastreamento

Apesar do avanço tecnológico, o anúncio reacendeu debates sobre privacidade e limites jurídicos. O advogado e professor Fernando Lopes publicou análise no Instagram alertando riscos do uso dessas plataformas legais. Segundo ele, os softwares não representam verdades absolutas, embora muitos os tratem dessa forma.

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A “prova matemática” virou a nova rainha dos tribunais, mas há um problema: ela falha“, afirmou Lopes.

Em seguida, ele ressaltou que sistemas como Chainalysis e TRM Labs operam com heurísticas, ou seja, suposições que podem gerar conclusões equivocadas. Ele alertou que, quando um algoritmo aponta uma conexão suspeita, o cidadão pode ser tratado como culpado antes mesmo de se defender.

O professor mencionou riscos como prisões injustas, bloqueios de bens de pessoas inocentes e o avanço de uma vigilância financeira que pode comprometer direitos fundamentais. O debate permanece aberto, já que o governo não esclareceu como pretende utilizar, na prática, o rastreamento de criptomoedas.

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Enquanto isso, analistas e especialistas em privacidade reforçam que a adoção dessas ferramentas exige cuidado, transparência e protocolos rígidos. O Brasil, ao dar esse passo, entra em uma fase em que segurança digital e garantias individuais convivem sob forte tensão, e 2026 poderá definir os limites dessa convivência.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia, comecei minha jornada com consoles no Nintendo 64. Sempre explorando novos gadgets e tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, meu maior hobby é jogar futebol.
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