- Governo coreano perde 342 BTC sob custódia criminal.
- Auditorias revelam falhas graves na segurança e governança.
- Casos expõem riscos internos e ausência de multifirma estatal.
O governo da Coreia do Sul enfrenta uma crise institucional após confirmar a perda de mais de 342 bitcoin confiscados em processos criminais. As autoridades tratam o caso como um alerta grave sobre a fragilidade dos sistemas públicos de custódia digital, especialmente em um momento em que o país endurece regras para exchanges e amplia a supervisão sobre ativos digitais centralizados. A auditoria interna, realizada pela Agência Nacional de Polícia, revelou falhas operacionais que atingem diferentes departamentos.
Em um dos episódios, a polícia do distrito de Gangnam, em Seul, incautou 22 bitcoin ligados a crimes financeiros em 2021. O proprietário armazenou o ativo em uma hardware wallet, teoricamente isolada da internet. No entanto, embora o dispositivo tenha permanecido fisicamente intacto, alguém transferiu os fundos sem autorização para uma carteira externa, logo após a suspensão do caso.
O alerta não disparou, e o desvio só apareceu na auditoria de fevereiro de 2026.
Enquanto isso, um caso ainda maior atinge a Procuradoria do Distrito de Gwangju. Durante uma investigação de apostas ilegais, o órgão assumiu a custódia de 320 bitcoin. Contudo, em agosto de 2025, um funcionário acessou acidentalmente um site de phishing durante a transferência dos ativos. Esse erro expôs as chaves privadas e permitiu que os fundos fossem drenados sem que os responsáveis percebessem. A perda só foi identificada meses depois, durante uma revisão administrativa.
Bitcoin
Assim, até 15 de fevereiro de 2026, as autoridades de Gyeonggi do Norte não conseguiram rastrear o destino final dos ativos, tampouco identificar os responsáveis pelas transações. A perda somada ressalta falhas na cadeia estatal de custódia e amplia dúvidas sobre a segurança dos procedimentos atuais.
Esse cenário se torna ainda mais crítico quando considerado o histórico recente. De acordo com Ki Young Ju, CEO da CryptoQuant, “o governo coreano já incautou 2.333 BTC e perdeu 1.742 BTC”, o que representa 75% dos bens apreendidos. Para Ju, as perdas não foram acidentais. Ele afirma que “em cada investigação, alguém acessou as chaves privadas e se apoderou dos fundos”, indicando possível participação interna.
O debate expõe a ausência de protocolos de multifirma, que poderiam exigir autorizações simultâneas e impedir que um único agente movesse valores dessa magnitude. Como comparação, o Serviço de Alguaciles dos Estados Unidos utiliza governança delegada, com camadas de aprovação física e digital. O modelo resultou em zero perdas registradas.
Ainda assim, os riscos não se limitam a falhas técnicas. Casos históricos mostram a vulnerabilidade humana. O ex-agente Shaun Bridges, do Serviço Secreto dos EUA, roubou 1.606 BTC apreendidos na investigação da Silk Road. Ele confessou o desvio e demonstrou como estruturas frágeis permitem abuso mesmo em órgãos altamente treinados.
Atualmente, Washington discute a criação de uma “reserva estratégica” de bitcoin apreendido, conforme diretriz da Ordem Executiva 14233. Porém, especialistas afirmam que, sem auditorias contínuas, nenhum sistema estatal está imune a infiltrações ou corrupção. Os episódios na Coreia do Sul reforçam esse alerta e ampliam a pressão por reformas urgentes na gestão pública de ativos digitais.
