Jair Bolsonaro, o presidente do Brasil, é a mais recente figura política a criticar publicamente o Bitcoin e outras criptomoedas (embora ele também pareça não ter conhecimento básico sobre o que realmente é o Bitcoin). Além disso, sua administração continua a trabalhar em projetos relacionados à blockchain e criptografia que começaram sob a jurisdição do presidente anterior.
Os comentários de Bolsonaro vieram em uma entrevista que foi ao ar no início deste mês. Ao longo de uma conversa sobre os desafios de sua presidência, ele mencionou um projeto de blockchain do governo que tinha o foco em criar uma criptomoeda que poderia ser usada por índios sem acesso aos bancos no país.
Eu não sei. É uma moeda?
O projeto, criado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e pela Universidade Federal Fluminense, foi vetado pelo Ministério de Direitos Humanos, Família e Mulher do país em janeiro, mas parece ser a primeira vez que Bolsonaro fala sobre a iniciativa publicamente.
“Estamos cortando despesas. Estávamos prestes a usar 40 milhões de reais para ensinar os nativos a usarem Bitcoin.”, disse ele.
Os primeiros comentários públicos de Bolsonaro sobre o Bitcoin vieram logo em seguida. Quando perguntado sobre o que é Bitcoin, ele respondeu: “Eu não sei. É uma moeda?”
A administração não é contra
Apesar do sentimento anti-criptografia que ele mostrou na entrevista (e o cancelamento do projeto da criptomoeda indígena), a administração de Bolsonaro inclui indivíduos que trabalharam de perto dentro do ecossistema de criptografia.
Roberto Campos, que atualmente é responsável pelo Banco Central do Brasil, escreveu em uma carta de fevereiro ao Senado do país que pretende promover tecnologicamente os sistemas financeiros do país, que provavelmente incluirão blockchain e ativos digitais em algum nível.
“Estudei e dediquei-me intensamente ao design do que será o sistema financeiro do futuro. Participei de estudos sobre blockchain e ativos digitais.”, escreveu ele. “Uma das contribuições que espero trazer ao Banco Central é preparar a instituição para o mercado futuro, onde as tecnologias avançam exponencialmente, gerando transformações mais rápidas.”
Os comentários anti criptomoedas de Bolsonaro são particularmente significativos devido ao papel do país nas indústrias globais de criptografia e blockchain. Até o momento, o Brasil era um dos maiores mercados de criptomoedas da América Latina; em determinado momento de abril, mais de 100.000 BTC foram negociados em um período de 24 horas após um aumento da inflação na moeda fiduciária nacional do país.
A Ripple, empresa responsável pela criação da criptomoeda XRP, abriu um novo escritório no Brasil na semana passada.
