Kast cancela airdrop e vira alvo de críticas do mercado

Kast cancelado
  • Kast muda o plano dos KAST Points e passa a defender conversão em equity tokenizado ou estrutura similar ligada ao negócio.
  • Usuários reagem nas redes sociais e acusam a empresa de abandonar a expectativa de airdrop e TGE.
  • Caso pressiona a reputação da fintech, que havia associado pontos a futuros tokens em sua comunicação oficial.

A Kast, fintech de pagamentos com stablecoins, enfrentou uma reação negativa de usuários nesta semana após comunicar uma mudança no destino dos KAST Points, programa de recompensas que alimentava a expectativa de um airdrop de tokens. A mensagem foi divulgada por usuários nas redes sociais. Ela afirma que a empresa pretende converter os pontos em “equity tokenizado ou algo similar ligado ao negócio da Kast”. Em vez disso, não vai seguir diretamente com a distribuição de tokens esperada pela comunidade.

A mudança atingiu especialmente usuários que acumularam grandes saldos de pontos ao usar o cartão, indicar novos clientes ou manter atividade na plataforma. Nos comentários publicados no X, parte da comunidade acusou a empresa de abandonar a proposta original. Por outro lado, outros usuários ironizaram a troca, classificaram a decisão como “scam” e afirmaram que a Kast favoreceu grandes participantes em detrimento de quem usou o produto com a expectativa de participar do TGE.

Kast tenta trocar token por alinhamento de longo prazo

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O caso ganhou força porque a própria página de airdrop da Kast apresentava uma relação direta entre pontos e tokens. No material oficial, a empresa dizia que “1 ponto = 1 futuro token”. Ela projetava uma oferta máxima de 10 bilhões de tokens e indicava uma alocação de 35% para a comunidade. O documento também mencionava um TGE previsto para o segundo ou terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações. Além disso, oferecia duas opções aos detentores de pontos: converter os pontos em tokens imediatamente com desconto de 50%, ou liberar 25% de imediato e o restante ao longo de 24 meses.

A expectativa do mercado não surgiu apenas da documentação oficial. Guias de airdrop também apresentavam o programa como uma campanha ativa. Assim, usuários acumulavam KAST Points por gastos com o cartão, indicações e outras atividades, com conversão planejada no Token Generation Event. Um desses guias descrevia o airdrop da Kast como “live”. Ele apontava o TGE para o intervalo entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026, condicionado a aprovações regulatórias.

Na mensagem que provocou a reação, a Kast argumenta que usuários com grandes saldos de pontos teriam uma “oportunidade maior” em uma estrutura ligada ao negócio da companhia. A empresa também afirma que tokens de cartões cripto costumam subir rapidamente. No entanto, muitas vezes eles perdem valor depois e deixam a comunidade de longo prazo com um ativo que não acompanha o valor construído pelo negócio.

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Reação pressiona reputação de uma fintech em crescimento

A justificativa, porém, não convenceu parte dos usuários. Para esses participantes, a Kast atraiu atividade e gastos com uma promessa econômica clara: pontos acumulados hoje poderiam virar tokens no TGE. A substituição por equity tokenizado muda a natureza da recompensa. Além disso, adiciona incertezas jurídicas, regulatórias e de liquidez. Diferentemente de um token negociável após lançamento, uma estrutura ligada a participação societária pode exigir regras de elegibilidade, restrições geográficas, cadastro adicional e prazos maiores de implementação.

A própria documentação da Kast já previa margem para mudanças. No aviso legal, a companhia informa que o programa de pontos e o programa de indicação seguem os termos da empresa. Ela informa também que a Kast pode modificar ou encerrar os programas a qualquer momento, sem aviso prévio. Ainda assim, a reação mostra a distância entre uma cláusula contratual e a expectativa criada por campanhas de crescimento em cripto.

A crise ocorre em um momento de expansão da Kast. A empresa afirma que opera uma plataforma financeira baseada em stablecoins, atende mais de 1 milhão de usuários e processa perto de US$ 5 bilhões em volume anualizado. Em maio, a companhia anunciou uma rodada Série A de US$ 80 milhões. Essa rodada foi liderada por QED Investors e Left Lane Capital, com participação de Peak XV Partners, HSG e DST Global Partners.

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Cartão Kast

No site, a Kast apresenta cartões aceitos em mais de 150 milhões de estabelecimentos, em mais de 170 países. Ela oferece também cashback, contas em dólar e euro, transferências e recompensas em pontos para planos pagos.

A reação dos usuários coloca a empresa diante de um dilema comum no setor: programas de pontos ajudam a acelerar adoção, mas também criam passivos reputacionais quando a companhia muda o desenho econômico antes do lançamento do token. Para a Kast, o desafio agora envolve explicar se o airdrop acabou, se o TGE continua no plano ou se os pontos migrarão para uma estrutura completamente diferente.

Até aqui, a comunicação divulgada por usuários indica uma mudança de direção, mas não detalha prazos, critérios de conversão nem regras para o eventual equity tokenizado. Sem esses elementos, a comunidade tende a tratar a decisão como cancelamento do airdrop prometido. E, pelo tom das reações, a empresa precisará entregar mais do que uma tese de alinhamento de longo prazo para conter a insatisfação.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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