L2 do Bitcoin implementa proteção contra computação quântica

Computadores quânticos vão destruir o Bitcoin? Nova análise revela quando o risco pode se tornar real
  • Liquid testa esquema pós-quântico da Blockstream sem alterar consenso.
  • Proteção vale para LBTC e tokens, mas ponte ao Bitcoin segue vulnerável.
  • SHRINCS ainda não possui auditoria e não está disponível em carteiras.

A rede Liquid, solução de segunda camada ligada ao Bitcoin, passou a testar uma proteção específica contra ameaças da computação quântica. A novidade surgiu após a Blockstream Research anunciar, em 3 de março, que transmitiu as primeiras transações assinadas com um esquema de assinatura pós-quântica dentro da Liquid Network. A equipe destacou que realizou esse avanço sem alterar as regras de consenso da rede, algo possível graças ao Simplicity, linguagem usada para contratos inteligentes dentro do ecossistema.

A linguagem permitiu criar um verificador de assinaturas pós-quânticas totalmente funcional. Esse verificador passou a integrar diretamente as condições de gasto do próprio Liquid. Assim, qualquer usuário pode bloquear fundos em um contrato que só libera valores mediante assinaturas pós-quânticas, sem exigir mudanças na rede. E, apesar do avanço, os componentes críticos do sistema continuam vulneráveis, pois a ponte que conecta o Bitcoin ao Liquid permanece sem proteção quântica.

A Blockstream implementou internamente um esquema chamado SHRINCS, criado para funcionar dentro das limitações computacionais do Bitcoin. Esse esquema difere dos padrões validados pelo NIST em 2024 e ainda aguarda revisão externa. Portanto, embora o anúncio represente um passo importante, ele não traz garantias definitivas. Além disso, a equipe reconhece que o SHRINCS não passou por auditoria independente, condição essencial para qualquer sistema criptográfico.

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Proteção no Bitcoin

Outro ponto relevante envolve a ausência de ferramentas práticas. Atualmente, nenhuma carteira oferece suporte ao uso dessas assinaturas pós-quânticas. A biblioteca está disponível publicamente no GitHub, mas apenas desenvolvedores podem utilizá-la. Assim, mesmo que exista uma camada teórica de proteção, o recurso ainda não chega ao usuário comum.

O movimento da Blockstream demonstra que assinaturas avançadas podem ser verificadas sem quebrar as limitações técnicas do Bitcoin. No entanto, levar o Simplicity à camada base exigiria um debate amplo. Isso porque o Bitcoin não executa contratos inteligentes nativamente e precisaria incorporar uma máquina virtual, algo ausente no protocolo. Portanto, qualquer evolução nesse sentido demandaria consenso e mudanças ainda sem previsão.

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Esse avanço protege ativos específicos da Liquid, como o LBTC, stablecoins e tokens emitidos na rede. Porém, vários elementos continuam expostos. O mecanismo de paridade entre Bitcoin e LBTC segue dependente da segurança do próprio Bitcoin, e o consenso da Liquid também usa criptografia clássica. Ativos Confidenciais emitidos na rede permanecem na mesma situação. A empresa afirma estar desenvolvendo soluções, mas não divulgou datas.

Enquanto isso, a camada base do Bitcoin também avança. Em fevereiro, entrou em debate a proposta BIP-360, que sugere o formato Pay to Merkle Root (P2MR). Esse novo tipo de endereço pretende ocultar chaves públicas, reduzindo o risco de ataques quânticos. Hoje, as chaves ficam expostas antes do gasto, o que poderia permitir que um computador quântico potente derive chaves privadas. Com o P2MR, as chaves ficam protegidas por um hash até o momento da transação.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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