- Mercado Bitcoin informa que US$ 38 milhões estão envolvidos no incidente e confirma o bloqueio de aproximadamente US$ 11 milhões em ativos.
- Chainalysis mobilizou investigadores de três continentes e acionou autoridades em menos de 30 minutos após receber informações do ataque.
- Arkham identifica novas transferências de US$ 8 milhões em Ethereum, enquanto pesquisadores acompanham possíveis tentativas de ocultação dos recursos.
O ataque hacker ao Mercado Bitcoin (MB), confirmado na segunda-feira (2), ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026. A exchange brasileira informou que aproximadamente US$ 11 milhões em criptomoedas foram bloqueados com a colaboração de empresas especializadas, enquanto os investigadores continuam rastreando os recursos desviados.
O valor envolvido no incidente é estimado pelo próprio Mercado Bitcoin em aproximadamente US$ 38 milhões. Entretanto, uma nova investigação publicada pela Chainalysis, empresa especializada em análise de transações blockchain, identificou cerca de US$ 49 milhões em ativos movimentados durante o ataque, distribuídos por 17 redes.
As diferenças entre os levantamentos ainda não foram esclarecidas publicamente de forma definitiva. Os cálculos podem refletir metodologias e conjuntos de transações distintos, mas não é possível determinar a origem exata da divergência apenas com as informações disponíveis.
Ao mesmo tempo, a empresa de inteligência blockchain Arkham identificou uma nova movimentação de aproximadamente US$ 8 milhões em Ethereum (ETH) para endereços associados ao invasor. A plataforma também levantou a possibilidade de que parte dos recursos seja posteriormente direcionada ao Tornado Cash, protocolo utilizado para dificultar o rastreamento de transações.
As novas informações ampliam o que já havia sido revelado pelo BitNotícias na segunda-feira, quando uma investigação da Bitquery identificou aproximadamente US$ 48,5 milhões desviados e movimentações em mais de 35 mil endereços de depósito na rede Ethereum.
Para acompanhar os próximos desdobramentos, o BitNotícias disponibiliza abaixo um monitoramento, feito pela Cilada Cripto e AuditKey, das carteiras associadas ao ataque ao Mercado Bitcoin. A ferramenta permite observar novas transferências registradas nas blockchains e acompanhar o destino dos ativos. Os dados são públicos, mas movimentações entre endereços não significam necessariamente venda, lavagem ou recuperação dos recursos, e os valores podem variar conforme as cotações das criptomoedas.
Mercado Bitcoin confirma US$ 11 milhões bloqueados após ataque hacker
Em nova atualização sobre o incidente, o Mercado Bitcoin informou que aproximadamente US$ 11 milhões em ativos foram bloqueados com o apoio de empresas do setor de criptomoedas e especialistas em rastreamento de transações.
Segundo a Folha de S.Paulo, a exchange calcula que cerca de US$ 38 milhões estejam envolvidos no ataque, o equivalente a aproximadamente R$ 206 milhões. A companhia também afirmou que identificou outros ativos passíveis de bloqueio e continua trabalhando para impedir novas movimentações.
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A operação contou com o apoio de empresas como Tether, Circle, Paxos, BRL1 e Chainalysis. As companhias participaram dos esforços para identificar ativos desviados, rastrear os endereços utilizados pelo invasor e aplicar restrições sobre determinados tokens.
A atualização representa um avanço em relação às informações divulgadas anteriormente. Na segunda-feira, a Bitquery havia identificado aproximadamente US$ 7,3 milhões congelados pelas emissoras Tether e Paxos.
Os números, contudo, não significam necessariamente que os recursos tenham sido recuperados pela exchange. O congelamento de stablecoins impede que determinados ativos sejam transferidos, mas sua restituição depende de procedimentos adicionais.
Chainalysis revela como ajudou a conter o ataque em 17 blockchains
Em um relatório publicado em 2 de novembro, a Chainalysis revelou detalhes da operação internacional organizada para rastrear os recursos roubados do Mercado Bitcoin.
De acordo com a empresa, o ataque ocorreu em diferentes ondas de transferências que atingiram ativos distribuídos por 17 redes blockchain. Bitcoin e Ethereum concentraram parte significativa das movimentações, mas a investigação também identificou operações em redes como Base, Tron e Polygon.
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A Chainalysis informou que foi acionada diretamente pelo Mercado Bitcoin ainda nas primeiras horas do incidente. Às 2h30 da madrugada no horário da costa leste americana, um diretor da exchange entrou em contato com um especialista da empresa no Brasil para informar o ataque.
Na ocasião, o representante do Mercado Bitcoin compartilhou uma relação de transações não autorizadas, permitindo que os investigadores iniciassem o mapeamento dos endereços utilizados pelo invasor.
Segundo a Chainalysis, as autoridades policiais foram acionadas em aproximadamente 30 minutos, a partir do recebimento das informações necessárias para identificar ativos que poderiam ser congelados.
A empresa também mobilizou especialistas de três continentes em uma sala de investigação digital, onde as equipes passaram a compartilhar informações sobre endereços, movimentações de criptomoedas e oportunidades de contenção.
A resposta incluiu contatos diretos com Paxos, Anchorage Digital, Ripple, Circle e Tether, além de autoridades responsáveis pelas investigações. O objetivo era identificar ativos cujos emissores poderiam executar bloqueios antes que o invasor conseguisse convertê-los em criptomoedas mais difíceis de recuperar.
De acordo com a Chainalysis, aproximadamente US$ 4 milhões em stablecoins já haviam sido bloqueados nas primeiras horas da operação. Posteriormente, a companhia informou ter ajudado a congelar quase US$ 10 milhões em ativos relacionados ao ataque.
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O relatório também atribui à atuação coordenada com a Tether o congelamento de mais de US$ 9 milhões em fundos identificados como roubados. A diferença entre esse valor e os levantamentos anteriores demonstra a evolução das medidas de contenção ao longo da investigação.
Apesar dos avanços, os pesquisadores continuam trabalhando para identificar os endereços que permanecem sob controle do invasor, acompanhar novas transferências e localizar outras oportunidades de bloqueio.
Hacker movimenta US$ 8 milhões em Ethereum e pode tentar ocultar recursos
Enquanto as empresas trabalham para conter as movimentações, os endereços associados ao ataque continuam apresentando atividade.
Uma nova atualização da Arkham Intelligence, divulgada nesta terça-feira (3), aponta que o responsável pelo ataque transferiu aproximadamente US$ 8 milhões em Ethereum para outros endereços.
Segundo a plataforma, as transferências fazem parte de um processo de redistribuição dos ativos retirados das carteiras do Mercado Bitcoin. Os pesquisadores identificaram movimentações envolvendo milhares de ETH, distribuídos por diferentes endereços vinculados ao incidente.
A Arkham também levantou uma questão sobre o possível destino desses recursos: o Tornado Cash, protocolo que permite dificultar a identificação das relações entre endereços de origem e destino das criptomoedas.
Até o momento, entretanto, não há confirmação de que os ETH movimentados tenham sido depositados no Tornado Cash. A hipótese foi levantada pela plataforma de análise e não deve ser confundida com uma operação de lavagem de dinheiro já comprovada.
O rastreamento da Arkham também identificou 287 operações de troca de tokens envolvendo carteiras associadas ao ataque. Entre as criptomoedas negociadas estão RENDER, WIF, KMNO e POPCAT, indicando que parte dos ativos desviados começou a ser convertida em outros tokens.
Outro alerta foi publicado pela plataforma Lookonchain, que identificou quantidades relevantes de altcoins ainda presentes em carteiras atribuídas ao invasor.
Entre os ativos monitorados estão aproximadamente 373 bilhões de tokens PEPE, avaliados em US$ 1,79 milhão, além de 12,82 mil AAVE, equivalentes a US$ 1,61 milhão, e cerca de 769,95 mil PENDLE, avaliados em US$ 1,35 milhão.
A relação também inclui posições em VIRTUAL, UNI e ONDO, cada uma avaliada em aproximadamente US$ 1 milhão no levantamento. A Lookonchain alerta que esses ativos podem enfrentar pressão vendedora caso sejam negociados pelo responsável pelo ataque.
As novas movimentações não representam necessariamente recursos adicionais roubados do Mercado Bitcoin. Parte das transferências pode envolver a redistribuição de valores já contabilizados pelas empresas de monitoramento durante as primeiras horas do incidente.
O Mercado Bitcoin, por sua vez, mantém a posição de que nenhum cliente sofrerá perdas financeiras decorrentes do ataque e que não houve vazamento de dados pessoais. A exchange informou que acionou seus protocolos de segurança, notificou autoridades e trabalha para restabelecer integralmente os serviços.
O painel oficial de status já registra a resolução das instabilidades que afetaram login, aplicativo e API de negociação durante a segunda-feira. Entretanto, a normalização desses sistemas não comprova, por si só, a liberação de todos os depósitos e saques em criptomoedas.
A companhia informou que divulgará a retomada dos serviços por seus canais oficiais, assim que considerar que existem condições adequadas de segurança.
Por enquanto, a investigação ainda não identificou publicamente os responsáveis pelo ataque, tampouco esclareceu como eles conseguiram autorizar transações a partir de diferentes carteiras atribuídas à exchange.



