- STRC paga dividendo anual de 11,5% em parcelas mensais em dinheiro
- Produto alcançou US$ 8,5 bilhões em nove meses de operação
- Strategy quer dividir pagamento em duas datas mensais a partir de julho
Michael Saylor passou as últimas semanas tentando reescrever a narrativa sobre um dos braços menos comentados da Strategy (Nasdaq: MSTR). Em uma sequência de publicações no X, o presidente executivo do conselho insiste que o STRC não deve ser confundido com Bitcoin nem com as ações da própria companhia.
A diferença, segundo ele, está no propósito. Enquanto o BTC funciona como ativo de reserva e o MSTR oferece exposição alavancada à tese cripto, o STRC foi desenhado para entregar renda recorrente, estabilidade de preço e proteção do principal. Saylor resumiu a hierarquia em uma frase: “STRC é um jato comercial. BTC é um caça. MSTR é um foguete.”
Como funciona o STRC
Batizado de Stretch, o STRC é uma ação preferencial perpétua que paga atualmente 11,5% ao ano em dividendos mensais em dinheiro. A taxa é recalibrada a cada mês com o objetivo de manter a negociação próxima ao valor de paridade de US$ 100, reduzindo a oscilação típica de papéis de longa duração.
A Strategy descreve o instrumento como crédito de curta duração, estrutura que limita a sensibilidade a variações de juros. O lastro vem dos ativos em Bitcoin e dólar da companhia, somados às operações ativas de tesouraria. Em publicação de 9 de maio, Saylor escreveu que o STRC foi estruturado como ação preferencial em vez de dívida para ser “mais escalável, durável, global e útil”.
A escala dá peso ao argumento. O produto atingiu US$ 8,5 bilhões em apenas nove meses, tamanho superior ao da maioria dos veículos de renda atrelados a ativos digitais negociados na bolsa americana. Para efeito de comparação, esse volume é maior do que o patrimônio líquido somado de várias gestoras de fundos cripto brasileiras autorizadas pela CVM.
Mudança no cronograma de dividendos
A companhia também propõe alterar a cadência de pagamento do dividendo. Em vez de um repasse mensal único, o plano prevê dois desembolsos por mês, no dia 15 e no último dia do calendário. O valor anual total permanece inalterado, mas cada parcela fica menor e mais frequente.
O desenho mira o comportamento do papel ao redor das datas de corte. A Strategy afirma que a medida deve estabilizar o preço, suavizar a ciclicalidade, aumentar a liquidez e ampliar a demanda. Caso aprovada, a nova rotina começa com data de registro em 30 de junho e primeiro pagamento em 15 de julho. As regras da Nasdaq limitam a frequência máxima de repasses, o que explica por que a empresa não foi além de duas datas mensais.
O que isso significa para o mercado
A ofensiva discursiva de Saylor não é gratuita. A Strategy fechou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 12,54 bilhões, pressionada por marcação a mercado das posições em Bitcoin. No mesmo período, a empresa precisou explicar aos investidores como pretende honrar os dividendos do STRC, e o presidente Phong Le chegou a admitir que venda de BTC entra no leque de cenários se a tesouraria exigir.
Esse pano de fundo torna a defesa do STRC como produto de renda relevante para entender o desenho de capital da Strategy. A reserva atual chega a 818.334 BTC, cerca de 3,9% da oferta máxima da rede. Saylor cita esse estoque como colateral implícito do programa de preferenciais, embora os dividendos não tenham vínculo contratual direto com o Bitcoin custodiado.
Para o investidor brasileiro, o ponto prático é que MSTR e STRC respondem a forças distintas. Quem busca exposição ao ciclo do Bitcoin compra o primeiro. Quem procura fluxo de caixa em dólar com volatilidade menor olha para o segundo. A própria Strategy já prometeu comprar muito mais BTC do que vender, mas a engenharia de capital depende cada vez mais dessas camadas intermediárias. Os detalhes do desenho estão na página corporativa da companhia, que mantém um painel ao vivo das posições em Bitcoin.
