- Investigação do New York Times aponta Adam Back como Satoshi
- Análise linguística e técnica reforça suspeitas sobre autoria
- Falta de prova definitiva mantém mistério sobre criador do Bitcoin
O jornal The New York Times publicou uma investigação que aponta o criptógrafo Adam Back como o possível criador do Bitcoin, conhecido pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto. A reportagem, assinada pelo jornalista John Carreyrou e divulgada em 8 de abril, apresenta uma análise detalhada baseada em dados linguísticos, técnicos e comportamentais.
A investigação resulta de mais de um ano de trabalho e inclui a análise de milhares de publicações em fóruns da década de 1990. O jornalista também examinou textos atribuídos a Satoshi Nakamoto e utilizou ferramentas de estilometria computacional para comparar padrões de escrita. Além disso, Carreyrou confrontou Back pessoalmente durante um encontro em um hotel em El Salvador.
Durante a entrevista, Back negou repetidamente ser Satoshi. Ainda assim, o jornalista relatou que alguns comportamentos levantaram dúvidas. Em um dos momentos descritos, Back começou a responder em primeira pessoa a uma citação atribuída a Satoshi, antes de corrigir a fala. Para o autor da reportagem, esse tipo de reação pode indicar proximidade com a identidade investigada.
Apesar das conclusões apresentadas, o próprio jornal ressalta que não existe prova definitiva. A confirmação absoluta dependeria da movimentação das moedas associadas aos primeiros blocos do Bitcoin, estimadas atualmente em cerca de US$ 118 bilhões.
Assim, o principal eixo da investigação envolve a análise linguística. Carreyrou identificou mais de cem palavras e expressões recorrentes nos textos de Satoshi e comparou com possíveis candidatos. Segundo o levantamento, Back foi o único entre os nomes analisados que utilizou quase todas essas construções.
Adam Back é Satoshi Nakamoto
Além disso, o estudo encontrou 325 padrões específicos de escrita nos textos atribuídos a Satoshi. Desses, 67 coincidem diretamente com textos de Back, um número significativamente superior ao observado em outros candidatos já apontados ao longo dos anos.
Outro ponto central envolve a contribuição técnica de Back para o ecossistema. Ele criou o Hashcash, sistema que serviu de base para o mecanismo de mineração do Bitcoin. Ainda nos anos 1990, Back publicou mensagens na lista Cypherpunks nas quais descreveu conceitos que se alinham diretamente com os fundamentos da criptomoeda.
Esses conceitos incluem privacidade entre usuários, funcionamento em rede distribuída, escassez programada, ausência de intermediários e verificação pública das transações. Para o jornal, a coincidência entre essas ideias e a estrutura final do Bitcoin reforça a hipótese de autoria.
Assim, a investigação também analisa o comportamento público de Back ao longo do tempo. Durante o período em que Satoshi esteve ativo, entre 2008 e 2011, Back praticamente desapareceu de fóruns onde antes participava com frequência. Pouco depois do desaparecimento definitivo de Satoshi, ele voltou a se envolver intensamente com o universo do Bitcoin.
Blockstream e Bitcoin
Em 2014, Back fundou a Blockstream, empresa focada em desenvolvimento de soluções para a rede Bitcoin. Esse retorno ao ecossistema após um período de ausência chamou atenção dos investigadores.
Outro elemento considerado envolve a mudança de residência de Back para Malta em 2009, ano do lançamento do Bitcoin. O país é conhecido por políticas fiscais favoráveis, o que poderia ser relevante para alguém que detivesse uma grande quantidade da criptomoeda.
Além disso, a investigação também questiona a autenticidade de trocas de e-mails atribuídas a Satoshi e Back. Segundo a análise, inconsistências na cronologia sugerem que essas mensagens podem ter sido produzidas para criar uma narrativa alternativa. Back não forneceu metadados desses e-mails quando solicitado.
Assim, apesar da repercussão, a identidade de Satoshi Nakamoto continua sem confirmação oficial. Ao longo de 17 anos, mais de cem nomes já foram associados ao criador do Bitcoin, incluindo outros criptógrafos como Nick Szabo. Até o momento, nenhuma hipótese apresentou evidências conclusivas capazes de encerrar o debate.
