- Fluxos de cripto caem para US$ 11 bi, ante US$ 33 bi em 2025.
- Compras corporativas e venture capital lideram os investimentos.
- Mineração vende bitcoin; ETFs registram saídas em janeiro.
Os fluxos de ativos digitais registraram uma queda acentuada no primeiro trimestre de 2026.
Estimativas do JPMorgan mostram que os investimentos chegaram a apenas US$ 11 bilhões, cerca de um terço do mesmo período em 2025.
Contexto e dados detalhados
De acordo com os analistas do JPMorgan liderados por Nikolaos Panigirtzoglou, o ritmo anualizado dos fluxos de cripto em 2026 seria de cerca de US$ 44 bilhões, bem abaixo do recorde de US$ 130 bilhões registrado em 2025.
“A maior parte dos fluxos de Q1’26 veio de compras de bitcoin por tesourarias corporativas e financiamento de venture capital, enquanto investidores institucionais e de varejo ficaram praticamente ausentes”, destacam os analistas.
O relatório combina dados de fundos de cripto, atividade em futuros da CME, aportes de venture capital e compras corporativas, incluindo as aquisições da Strategy liderada por Michael Saylor.
Entre janeiro e março, ETFs de bitcoin e Ethereum registraram saídas, mas ETFs de Bitcoin tiveram entradas em março, apontando certa recuperação.
Mineração de bitcoin se tornou líquida vendedora no período. Algumas empresas mineradoras listadas venderam ativos ou os usaram como garantia para melhorar liquidez e financiar investimentos.
Segundo o JPMorgan, essas vendas refletem disciplina financeira e condições de crédito mais rígidas, não crise generalizada no setor.
Impactos e perspectivas
O cenário sugere que o mercado de cripto enfrenta um ritmo mais cauteloso em 2026, apesar do recorde do ano passado.
Além disso, fluxos concentrados em poucos compradores e rodadas de venture capital maiores indicam maior seletividade no investimento.
Para investidores institucionais e de varejo, é importante observar a concentração de fluxos e, ao mesmo tempo, a movimentação das tesourarias corporativas.
Por outro lado, a atuação dos miners e o comportamento dos ETFs podem influenciar volatilidade e liquidez no curto prazo.
Segundo Panigirtzoglou:
“Os fluxos de investidores, seja varejo ou institucional, foram pequenos ou até negativos até agora, com isso, a maior parte dos investimentos veio de compras corporativas e fundos de venture capital concentrados.”
Assim, o mercado deve acompanhar atentamente a evolução dos fluxos nos próximos trimestres, pois eles podem sinalizar recuperação ou, ao contrário, a continuidade da cautela no ecossistema cripto.
Consequentemente, decisões de investimento precisarão ser mais estratégicas e seletivas.
