- Preço do Bitcoin perde US$ 68 mil após tensão geopolítica no Oriente Médio.
- Mercado testa suporte em US$ 67.300 e pode buscar US$ 65 mil.
- Analista afirma que cenário segue macro e sem quebra estrutural na demanda.
O mercado de criptomoedas amanheceu sob forte tensão depois que novos desdobramentos geopolíticos reacenderam o medo entre investidores globais. O Bitcoin, que já vinha mostrando dificuldade para romper a região de US$ 70 mil, perdeu rapidamente força e voltou a testar patamares mais baixos. A movimentação ocorre em meio a um cenário internacional sensível, marcado por disparos de mísseis no Oriente Médio e aumento imediato do prêmio de risco.
Segundo Marco Aurélio, CIO da Vault Capital, o comportamento do preço nos últimos dias já indicava um padrão de compressão. “O Bitcoin voltou a ser rejeitado na região dos US$ 70 mil e retornou para os US$ 68 mil, mantendo o padrão de compressão que vínhamos acompanhando”, afirmou. Essa dificuldade em sustentar níveis acima do chamado gamma flip reforça a postura defensiva do mercado no curto prazo.
No entanto, o quadro mudou de forma brusca nesta manhã. A Associated Press relatou que o Irã lançou mísseis em direção ao Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo mundial. Esse evento gerou uma reação imediata nos mercados, com impacto direto sobre energia, bolsas globais e ativos de risco.
Preço do Bitcoin
Logo após os disparos, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, fez declarações dirigidas ao presidente Trump, elevando ainda mais a tensão. Exercícios militares, negociações nucleares em Genebra e a presença reforçada da frota americana, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, contribuíram para um ambiente de risco real, muito além de retórica diplomática.
Esse cenário atingiu o Bitcoin rapidamente. O preço perdeu o suporte de US$ 68 mil e agora testa a região de US$ 67.300, apontada como o primeiro nível técnico relevante. “A perda consistente desse nível abre espaço para um movimento até o antigo put wall em US$ 65 mil, que já foi uma zona importante de defesa anteriormente”, explicou Aurélio.
Mesmo com a queda, os analistas não enxergam sinais de deterioração estrutural na demanda do Bitcoin. Não há, até o momento, evidências de capitulação de longo prazo ou fuga de liquidez on-chain. O movimento, portanto, segue guiado por uma leitura macro: investidores reduzem exposição enquanto o risco geopolítico aumenta.
Caso a tensão no Oriente Médio avance e provoque impactos diretos no petróleo e nos índices globais, é natural que o Bitcoin acompanhe o fluxo de aversão ao risco. Entretanto, eventos desse tipo também costumam gerar estabilizações rápidas. “Recuperações igualmente rápidas podem ocorrer quando os níveis técnicos já estão pressionados”, avaliou Aurélio.
A leitura técnica permanece clara. Acima de US$ 68 mil, o Bitcoin tenta reconstruir estrutura e mirar novamente os US$ 70 mil. Abaixo de US$ 67.300, o teste da região de US$ 65 mil se torna o cenário mais provável.
