Plataforma cripto vai monitorar políticos no Brasil

Cripto eleições
  • Movimento Juntos por Cripto lança plataforma para monitorar projetos de lei, discursos e votos de parlamentares sobre criptoativos.
  • Ferramenta permitirá envio de mensagens a políticos e exibirá um scorecard público sobre posicionamentos regulatórios.
  • Iniciativa chega ao Brasil em meio à implementação das regras do Banco Central para o mercado de ativos virtuais e às eleições de 2026.

O setor de criptoativos vai testar no Brasil uma ferramenta de pressão política que já ganhou escala em outros mercados. O movimento global Stand With Crypto anunciou sua chegada ao país com o nome Juntos por Cripto e apresentou uma plataforma voltada a acompanhar projetos de lei, discursos públicos e votos de parlamentares em temas ligados à regulação de ativos digitais.

A iniciativa, sem fins lucrativos e suprapartidária, tenta organizar uma base de usuários, empresas, desenvolvedores e comunidades do setor em torno da agenda regulatória. No evento de lançamento, realizado em São Paulo, Marina Fagali, diretora do movimento no Brasil, afirmou que a entidade pretende transformar a participação dos usuários de cripto em uma força de acompanhamento legislativo.

Assim, a plataforma deve classificar projetos de lei relacionados ao setor e associar a atuação de deputados e senadores a essas propostas. O sistema também pretende monitorar manifestações públicas dos políticos para comparar discurso e prática. A entidade afirma que pretende dar transparência à posição de cada parlamentar, em uma espécie de scorecard público.

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Além disso, o movimento chega ao país em um momento sensível para o mercado. O Brasil entra no primeiro ciclo de vigência das regras do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais, conhecidas como PSAVs. Ao mesmo tempo, a eleição de 2026 tende a ampliar a disputa por compromissos públicos de candidatos sobre inovação financeira, tributação, segurança jurídica e uso de novas tecnologias pelo poder público.

Cripto e regulamentação

A pauta cripto ganhou relevância econômica nos últimos anos. Segundo a pesquisa “Cripto pelo Brasil”, realizada pelo Grupo Paradigma em parceria com o Instituto Datafolha, mais de 25 milhões de brasileiros já participam do ecossistema. O levantamento também coloca o país entre os maiores mercados globais do setor. Para o movimento, esse contingente ainda aparece pouco no processo de formulação das regras.

“O Juntos por Cripto é um chamado para transformarmos o ecossistema digital. Dados do Datafolha e Grupo Paradigma revelam que nossa comunidade é politicamente mais engajada que a média da população. Queremos converter esse protagonismo em um motor de inovação, desenvolvimento econômico e liderança tecnológica para o Brasil”, afirmou Fagali.

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A atuação do grupo no Brasil seguirá um modelo que o Stand With Crypto já aplica em países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália. Globalmente, o movimento afirma reunir quase 4 milhões de apoiadores e contabilizar cerca de 1,2 milhão de contatos com legisladores e reguladores. Além disso, nos Estados Unidos, a organização participou do debate em torno do Genius Act, proposta voltada à regulação de stablecoins.

No Brasil, o manifesto do Juntos por Cripto traz sete propostas. Elas incluem adoção de infraestrutura tecnológica pelo poder público, educação financeira e tecnológica, neutralidade tributária, segurança jurídica e estímulo à inovação. A plataforma também permitirá o envio direto de mensagens a parlamentares, com rastreamento e tecnologia anti-spam, segundo a entidade.

Assim, a iniciativa marca uma nova etapa na relação entre o mercado cripto e Brasília. Até aqui, associações setoriais, empresas e especialistas lideraram boa parte do debate regulatório. O Juntos por Cripto pretende deslocar parte dessa pressão para a base de usuários, aproximando o tema de uma lógica de mobilização eleitoral.

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Pautas para o mercado

Esse movimento, porém, também deve ampliar a cobrança por transparência sobre financiamento, influência e interesses econômicos no debate público. Embora se apresente como suprapartidário, o grupo atuará sobre uma agenda regulatória que envolve empresas, investidores, consumidores e órgãos de fiscalização. Além disso, a forma como a plataforma classificará projetos e políticos tende a se tornar um ponto central para medir sua credibilidade.

“As campanhas são o cenário ideal para estreitar a representatividade e cobrar comprometimento público. O Juntos por Cripto propõe um modelo de engajamento inédito que, além de fortalecer o nosso ecossistema, pode e deve ser replicado por outros mercados que movem a economia do país”, disse Fagali.

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Além da plataforma, o movimento anunciou apoio ao Programa de Comunidades do Blockchain RIO. Assim, a parceria pretende aproximar grupos independentes das discussões sobre economia digital, inovação e regulação. O programa reúne comunidades Web3, desenvolvedores, universitários, coletivos de inovação, fintechs, fundadores de empresas e organizações regionais.

Pelo acordo, os participantes poderão acessar ingressos para eventos, espaços de conversa, networking com executivos e especialistas, além do reconhecimento como parceiros do Blockchain RIO. Para Fagali, a articulação com comunidades ajuda a ampliar a ponte entre o setor e os legisladores.

“Nossa principal missão é mobilizar a sociedade e todos que fazem parte do mercado de criptomoedas a criar um espaço de diálogo com os legisladores por um ambiente propício à expansão do setor. O Blockchain RIO cria essa ponte que nos conecta a essas pessoas e comunidades”, afirmou.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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