- Registro obrigatório traz mais transparência ao mercado britânico
- Novas regras fortalecem fiscalização e reduzem brechas fiscais
- Reino Unido acelera alinhamento com padrões globais de cripto
As autoridades do Reino Unido confirmaram novas regras para todas as transações em criptomoedas a partir de 2026. A medida altera a rotina das plataformas locais e marca um avanço importante na política fiscal. O governo explicou que quer ampliar a fiscalização e reduzir brechas que ainda permitem operações não reportadas.
Com a mudança, a receita e alfândega de sua majestade (HMRC) receberá detalhes completos das movimentações de usuários, inclusive aquelas realizadas fora do país. Assim, pela primeira vez, o órgão terá acesso automático a informações criptográficas internacionais. As autoridades afirmaram que a medida prepara o terreno para a primeira troca global de dados da estrutura de reporte de criptoativos (CARF), marcada para 2027.
Expansão da CARF transforma o modelo fiscal britânico
A CARF foi criada pela OCDE em 2022 para padronizar a troca de informações entre países. A documentação pública divulgada em 2023 mostrou que o sistema exige verificação de identidade, análise de antecedentes e relatórios anuais com detalhes sobre transações. Com isso, provedores de serviços de criptomoedas deverão seguir um processo rígido para garantir transparência.
Fontes ligadas ao governo afirmaram que as regras da CARF focam principalmente em transações internacionais. Por isso, operações feitas inteiramente dentro do Reino Unido não entrarão no fluxo automático de compartilhamento. Mesmo assim, autoridades locais decidiram incluir usuários domésticos no modelo nacional para evitar lacunas que existiam no padrão anterior.
Segundo especialistas que acompanham o tema, o objetivo é garantir que ativos digitais não fiquem fora do escopo fiscal, como já aconteceu com contas financeiras tradicionais antes do Padrão Comum de Relatórios (CRS). Dessa forma, o governo acredita que conseguirá montar uma base de dados abrangente e útil para identificar inconsistências e reforçar a conformidade tributária.
Medidas globais reforçam tendência de maior vigilância
Além dessa mudança, o Reino Unido apresentou um plano tributário chamado “sem ganho, sem perda”, que adia o pagamento de imposto sobre ganhos de capital em operações de finanças descentralizadas. O esquema recebeu avaliações positivas durante a consulta pública, já que reduz incertezas sobre tributação de tokens em operações complexas.
O movimento britânico ocorre enquanto vários países atualizam suas regras. A Coreia do Sul endureceu sua fiscalização ao anunciar a apreensão de criptomoedas guardadas em carteiras frias quando houver suspeita de sonegação. A Espanha também avançou e propôs elevar a alíquota máxima sobre lucros com criptomoedas para 47%, aproximando esses ganhos da tributação de renda tradicional.
A Suíça, por sua vez, decidiu adiar o início do compartilhamento automático de informações até 2027, embora mantenha a incorporação das regras da CARF em sua legislação. O país quer mais tempo para definir quais parceiros receberão seus dados. Nos Estados Unidos, um novo projeto de lei propôs permitir o pagamento de impostos federais em Bitcoin, sem cobrança de ganho de capital sobre a transferência.
As mudanças mostram que a regulação fiscal global avança rapidamente, pressionada pela expansão das criptomoedas e pelo aumento da adoção institucional. Com o novo modelo, o Reino Unido se coloca entre os países que buscam maior rastreamento e transparência antes de uma nova fase do mercado digital.
