- OFAC sanciona carteiras com US$ 344 milhões em USDT vinculadas ao Irã
- Tether confirma congelamento após solicitação das autoridades americanas
- Irã cobra pedágio em Bitcoin para navios no Estreito de Hormuz
O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, revelou que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sancionou diversas carteiras de criptomoedas vinculadas ao Irã, resultando no bloqueio de US$ 344 milhões em ativos digitais. A medida integra uma estratégia ampla para estrangular o acesso de Teerã a recursos financeiros globais.
“Vamos rastrear o dinheiro que Teerã tenta desesperadamente mover para fora do país e mirar todas as linhas financeiras conectadas ao regime”, declarou Bessent em publicação no X. A ação ocorre em meio à escalada de tensões após ataques aéreos conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã no final de fevereiro.
A operação ganhou forma com o congelamento executado pela Tether um dia antes do anúncio oficial. A emissora da stablecoin bloqueou mais de US$ 344 milhões em USDT atendendo solicitação das autoridades americanas por “atividades ligadas a condutas ilícitas”, sem mencionar explicitamente o Irã na época.
Carteiras sancionadas pertencem a grupos militares iranianos
Documentos do OFAC identificaram dois endereços na blockchain Tron contendo os US$ 344 milhões congelados. Segundo oficiais do Tesouro, as carteiras estão vinculadas à Guarda Revolucionária Islâmica e ao grupo político islamista Hezbollah, ambos classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
A escolha da rede Tron não é coincidência. A blockchain se tornou popular para movimentações que buscam contornar o sistema financeiro tradicional devido às suas baixas taxas e relativa privacidade. O montante bloqueado representa uma das maiores operações de congelamento de criptoativos relacionadas a sanções internacionais.
As sanções ampliam o cerco financeiro ao Irã, que já enfrenta restrições ao sistema bancário global SWIFT desde 2018. Com bancos bloqueados e reservas em moeda forte inacessíveis, o país passou a explorar alternativas em criptomoedas para conduzir comércio internacional e contornar embargos.
Pedágio em Bitcoin no Estreito de Hormuz acirra tensões
Paralelamente ao congelamento, surgiram relatos de que o Irã começou a cobrar taxas em Bitcoin para passagem de navios pelo Estreito de Hormuz, rota crucial por onde transitam 20% do petróleo mundial. A Forbes reportou que Teerã já acumulou receitas significativas com os pedágios digitais.
A medida representa uma nova frente na guerra econômica entre os países. O estreito é um gargalo estratégico para o transporte de energia, e qualquer interrupção pode impactar preços globais do petróleo. Forças navais americanas estabeleceram um bloqueio na região, enquanto o Irã teria atacado três embarcações que utilizavam a passagem.
Embora o presidente Donald Trump tenha mencionado um acordo de cessar-fogo com o Irã esta semana, as tensões no Estreito de Hormuz continuam elevadas. A cobrança em Bitcoin demonstra como países sob sanções estão adaptando criptomoedas para fins geopolíticos, desafiando o controle financeiro tradicional dos Estados Unidos.
Impacto para investidores e exchanges brasileiras
O congelamento massivo de USDT levanta questões sobre riscos de compliance para exchanges e investidores. Plataformas brasileiras que operam com Tether precisam reforçar procedimentos de verificação de origem de recursos, especialmente para grandes transferências internacionais.
A capacidade da Tether de congelar fundos instantaneamente também ressalta a natureza centralizada das principais stablecoins. Diferentemente do Bitcoin, onde transações são irreversíveis e resistentes à censura, stablecoins como USDT podem ter saldos bloqueados mediante ordem judicial ou solicitação governamental.
Para o mercado cripto brasileiro, o episódio serve como lembrete dos riscos regulatórios em operações internacionais. Com a crescente integração entre sistemas tradicionais e blockchain, exchanges locais devem estar preparadas para cumprir sanções internacionais e evitar exposição a fundos de origem duvidosa.
