- Strategy afirmou que pretende continuar comprando Bitcoin até a mineração da última unidade da criptomoeda, prevista para 2140.
- A companhia já acumula mais de 843 mil bitcoins e mantém as compras por meio de emissões de ações preferenciais e instrumentos de financiamento.
- Enquanto apoiadores veem uma aposta na escassez do Bitcoin, críticos alertam para os riscos de volatilidade e do modelo baseado em captação constante de recursos.
A estratégia de acumulação de Bitcoin da Strategy, antiga MicroStrategy, voltou ao centro do debate no mercado financeiro após o presidente executivo da companhia, Michael Saylor, afirmar que a empresa pretende continuar comprando Bitcoin até que a última unidade da criptomoeda seja minerada, por volta de 2140.
A declaração reforçou o posicionamento da companhia como a maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo. Além disso, ampliou as discussões sobre os limites desse modelo de alocação baseado em dívida e emissão de ações preferenciais.
Atualmente, a Strategy possui mais de 843 mil bitcoins em caixa, segundo dados divulgados pela própria companhia. O montante coloca a empresa muito à frente de outras companhias listadas que adotaram exposição direta ao ativo digital em suas tesourarias.
Desde 2020, a companhia transformou a compra de Bitcoin em eixo central de sua estratégia financeira. Ou seja, converteu parte relevante de sua estrutura de capital em aquisições contínuas da criptomoeda.
Em entrevista recente, Saylor afirmou que a empresa pretende manter a política de compras mesmo nas próximas décadas. Segundo ele, a Strategy continuará utilizando sua estratégia chamada de “Digital Credit”, que envolve principalmente emissões de ações preferenciais e instrumentos de financiamento para captar recursos destinados à aquisição de novos bitcoins.
Strategy Bitcoin
A fala ocorre em um momento em que o Bitcoin volta a operar próximo de máximas históricas, impulsionado pela entrada de investidores institucionais e pela expansão dos ETFs à vista nos Estados Unidos. O movimento também coincide com um ambiente de maior aceitação institucional dos ativos digitais. Especialmente após grandes gestoras passarem a incluir exposição ao Bitcoin em produtos regulados.
Para defensores da tese de Saylor, a estratégia representa uma aposta de longo prazo na escassez programada do Bitcoin. O protocolo da criptomoeda estabelece um limite máximo de 21 milhões de unidades, característica frequentemente utilizada por investidores como argumento para sustentar o potencial de valorização do ativo ao longo das próximas décadas.
Analistas favoráveis ao modelo argumentam que a Strategy busca se posicionar como uma espécie de “banco de Bitcoin” listado em bolsa, oferecendo aos investidores exposição indireta ao ativo digital por meio de instrumentos tradicionais do mercado financeiro. Nos últimos anos, o papel da empresa passou a acompanhar de perto as oscilações do Bitcoin. Isso transformou a companhia em uma das principais referências institucionais do setor.
Ao mesmo tempo, a estratégia também desperta críticas entre gestores e analistas de risco. Parte do mercado questiona a sustentabilidade de um modelo que depende de captações frequentes para financiar compras adicionais de um ativo historicamente volátil. Em períodos de forte queda do Bitcoin, a companhia já enfrentou pressão sobre suas ações e sobre sua estrutura de endividamento.
