Tá tudo dominado: maiores bancos do Brasil vão vender tokens RWA

Tokens bancos brasil
  • Banco do Brasil, Itaú, Santander, Safra e Caixa entraram oficialmente no piloto de tokenização da Anbima.
  • Projeto vai testar emissão de debêntures e fundos tokenizados em ambiente controlado baseado em blockchain.
  • Mercado vê movimento como sinal de que os tokens RWA ganharam espaço estrutural no sistema financeiro brasileiro.

Os maiores bancos do Brasil decidiram disputar espaço em uma das áreas mais promissoras do mercado financeiro: a tokenização de ativos reais, conhecida como RWA (Real World Assets). Grandes instituições integram oficialmente um projeto-piloto da Anbima voltado à emissão e operação de ativos tokenizados no mercado de capitais brasileiro. Entre elas estão Banco do Brasil, Itaú, Santander, Safra, Caixa Econômica Federal, Banco BV, Bradesco e BTG Pactual.

A iniciativa marca uma mudança importante no posicionamento das instituições financeiras tradicionais diante da tecnologia blockchain. Até pouco tempo, a tokenização aparecia concentrada em fintechs, exchanges e empresas especializadas em infraestrutura digital. Agora, os principais bancos do país começam a estruturar operações próprias. Eles também testam aplicações práticas envolvendo debêntures, fundos de investimento e ativos digitais emitidos em redes DLT, sigla usada para tecnologias de registro distribuído.

O projeto da Anbima recebeu 39 propostas do mercado. Destas, 20 avançaram para a fase prática de testes. As iniciativas reúnem bancos, gestoras, empresas de tecnologia e plataformas nativas de tokenização em consórcios. Esses consórcios foram criados para simular operações completas com ativos digitais.

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Tokens RWA

Entre os participantes estão nomes já conhecidos do setor cripto, como Mercado Bitcoin, Liqi e Capitare, além de gigantes do sistema financeiro nacional. Os testes vão acompanhar todas as etapas do ciclo de vida dos ativos tokenizados, incluindo emissão, transferência, liquidação e execução de eventos financeiros automatizados.

Segundo Rodrigo Caggiano, fundador da Capitare e do RWA Monitor, o movimento indica uma transformação estrutural no setor financeiro brasileiro.

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“Esse processo tende a evidenciar ganhos relevantes, como redução de custos, maior transparência e automação de eventos, mas também vai expor desafios críticos, especialmente em padronização, integração entre participantes e enquadramento regulatório”, afirmou.

A participação conjunta de bancos tradicionais e empresas do mercado digital mostra que o setor financeiro já trata a tokenização como um movimento estratégico, e não mais como uma tendência experimental.

Além disso, o avanço ocorre em um momento em que instituições financeiras globais também aceleram projetos envolvendo blockchain, stablecoins e ativos digitais ligados ao mercado tradicional.

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Bancos apostam em debêntures e fundos tokenizados

Os testes da Anbima foram divididos em diferentes casos de uso. Parte das propostas concentra esforços em debêntures digitais emitidas diretamente em blockchain. Outra parcela envolve fundos de investimento tokenizados operando com contratos inteligentes e automação de governança.

Além disso, o Itaú participa de uma frente voltada à integração de fundos e debêntures dentro da mesma infraestrutura digital. Já Banco do Brasil e Caixa aparecem em um consórcio ao lado de empresas como Núclea, RealPrice e GoLedger. Santander participa em parceria com a Evertec, enquanto Banco BV integra um consórcio com Banco Inter e Kaleido. Safra aparece ao lado da IBM e da Hamsa em uma estrutura voltada à tokenização de fundos.

A fase de testes terá duração aproximada de seis meses. O ambiente foi desenhado para reproduzir condições reais do mercado, mas sem movimentação financeira efetiva ou participação de investidores finais. O objetivo é identificar gargalos operacionais, testar interoperabilidade entre plataformas e construir padrões comuns para futuras operações tokenizadas.

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Assim, Eric Altafim, diretor da Anbima, afirmou que a elevada adesão do mercado reforça o interesse crescente pela tecnologia.

“A fase de testes permitirá avaliar soluções na prática, mapear gargalos operacionais e apoiar a construção de referências comuns para o desenvolvimento da tokenização no mercado de capitais”, disse.

Brasil vira laboratório para tokenização

Assim, o avanço dos bancos brasileiros acontece em um momento em que o país começa a ganhar relevância internacional no setor de tokenização. Jeremy Ng, fundador e CEO da plataforma OpenEden, afirma que o Brasil se transformou em um dos mercados mais importantes para esse segmento. Isso acontece por apresentar demanda concreta e aplicações práticas.

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De acordo com ele, a tokenização de crédito privado, recebíveis e pagamentos judiciais ganhou força porque ajuda a reduzir custos e fragmentação operacional. O executivo também destacou que o Brasil ocupa hoje posição relevante no mercado global de criptoativos. Isso foi impulsionado pela adoção crescente de blockchain e pela entrada de instituições tradicionais.

Apesar do avanço, especialistas avaliam que o mercado ainda enfrenta obstáculos regulatórios e jurídicos. A integração entre plataformas, o reconhecimento legal da propriedade registrada on-chain e a harmonização internacional das regras aparecem entre os principais desafios. Eles dificultam a expansão desse modelo em larga escala.

Mesmo assim, a movimentação dos maiores bancos do país indica que a disputa pelo mercado de ativos tokenizados já começou — e que o setor financeiro brasileiro pretende ocupar espaço relevante nessa nova infraestrutura digital.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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